Páginas

Mostrando postagens com marcador eu gosto de ler. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador eu gosto de ler. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Restrições Literárias

Antes de tudo:
Tá achando o blog feio? Sem graça? Não aguenta mais olhar pra essa mesmice? Está lhe dando náuseas?
À mim, também. Por favor, se ofereça para fazer um novo layout. HELP ME. To aprisionada. Não aguento mais!

Acho que um mal/um bem que aflige a população viciada/que gosta de ler é querer ler tudo o que vê pela frente.

Elogiado pela crítica? Quero ler.
Elogiado por seu professor ultra mega intelectual conceituado das Letras? Quero ler.
Resenhado num blog? Quero ler.
Seus amigos inteligentes citam fingindo que lêem? Quero ler.
Tem a capa bonita? Quero ler.
Concorrente do Crepúsculo? Quero ler.
Tem cem páginas? Quero ler.
Lançamento? Quero ler.
Super promoção de R$ 9,90 no Submarino? Quero ler.

Eu sou assim. Não posso evitar querer ler tudo o que vejo pela frente e acabo lendo muita porcaria. Mas podem confiar em mim, porque tenho bom gosto, juro.

O fato é que tenho meus pontos fracos. Livros que eu olho, olho de novo, leio sobre, vejo promoção e não tchum!!! Aquele foguinho dentro de mim nem faísca.
Não, eu absolutamente não tenho preconceitos. Apenas "restrições".

Este é um post-confissão, e também um pedido: DESPERTEM MINHA VONTADE!

Vamos lá, então. 

Eu não tenho vontade de ler

Ágatha Christie
Me perdoeeem! Eu quero mudar!
Eu sei que ela é a RAINHA do crime, mas eu nunca li, e nunca tenho vontade de ler. Eu sempre me obrigo a olhar a variedade de títulos dos livrinhos pequenininhos e baratinhos da L&PM Pocket. Vejo, vejo, vejo... e cadê vontade? Eu me sinto maaaaaaaal! É muito triste! Mas eu tenho uma justificativa (não)... eu não gosto de romance policial. (COISA CHATA, ufa desabafei)
Eu me sinto problemática. Ouço pessoas comentando suas leituras policiais: "Eu não conseguia largar o livro", "To louco de curiosidade", enquanto eu penso comigo mesma: "Não, não quero saber quem matou seu amante", "Desculpa, eu poderia ler até o final, mas é que não me importo!", "Eu poderia fechar o livro right now e não faria nem um pouquinho de diferença" - Eu já fiz isso.
Mas eu planejo romper essa barreira dentro de mim. O escolhido foi:
Não me perguntem porque. Não perguntem quando. Mas um dia vou ler.
Quer dizer, se for o livro errado, ME DIGAM. Se houver um mais apropriado, ME INCENTIVEM. Eu me sinto em falta com a Literatura Feminina!

Marthinha Medeiros
Hm, bom, eu odeio Martha Medeiros.
Posso estar errada. Minha única relação com ela foi numa crônica de jornal e no seriado e filme Divã - mas quase não vi também.
Me desculpem, mas na minha opinião, ela é uma pseudo-intelectual/pseudo-feminista. Eu gosto de Chick-lit, mas o que ela faz é um Chick-lit com lição de moral no fim, para: mulheres maduras, modernas E inteligente; que não se permitem serem só erradas, engraçadas ou escrachadas. Não presta. Leia Chick-lit para se divertir e não para tirar daí uns minutos de sabedoria de Ana Maria Braga. Vocês podem mais.
Rival maravilhosa: CLAUDIA TAJES.

O homem que não amava as mulheres
Poxa, sabe. TODO fucking mundo que eu ouço falar desse livro, fala bem. Mais que isso, fala: "É incrível, sensacional, não consigo parar de ler". Esse "não consigo parar de ler" é crucial porque se TODO mundo diz isso, meu irmão, alguma coisa tem. Mas eu sou tão tentada a não ler. Não quero, a não ser por essas pessoas todas. Pensando bem, eu vou ler. O que vocês acham? Na verdade, eu desejava (como os livros acima) lê-lo, até que uma amiga disse a palavra mágica: "policial" e fiuuun (a chama apagando). Desisti na hora. Mas enfim, não sei o que faço. Talvez eu leia.

O Diário de Anne Frank
Nããããooo! Mas que coisa, não quero ler esse livro. Eu sei que todo mundo já leu, é bom, mas não quero, não, obrigada. Primeiro porque eu não quero ler histórias de nazismo, especialmente diários reais. Me chamem de alienada, digam que eu moro num mundo de fantasias. Mas gente, ler sofrimento, tristeza e cenas fortes é ruim demais! Quer dizer, às vezes vai, funciona, é bonito. Mas, na maioria das vezes, eu prefiro não ler. Eu gosto de fantasia, minha gente!... Bom, e segundo, só porque eu não tenho vontade mesmo.

O Diário da Princesa
Eu tenho vontade de ler Meg Cabot, embora não O Diário da Princesa. O motivo é simplês: quando eu era criança, eu descobri várias coisinhas legais, tipo Harry Potter e uma série de livros, desenho animados e filmes que fizeram parte da minha infância. Esse livro era dessa época, mas eu não o descobri!! Eu não sabia de sua existência até ser grande demais para ele. E agora passou minha época, então, não vou mais lê-lo (criança traumatizada, emburrada, fazendo pirraça). Provalvemente, se o tivesse lido, agora eu seria uma fã da Meg, mas nunca li! Então, vou ler um dela para adultos e ponto. 
PS: Sou fã da Anne Hathaway, que fez o filme - e vi o filme.

Ufa!!! Desabafei! Não contem pra ninguém. Não me julguem... Se eu estiver perdendo alguma coisa, ME AVISEM CORRENDO, por favor. E se quiserem falar sobre suas restrições literárias, também, compartilhem comigo! E vamos difundir esse novo termo, cunhado pela primeira vez POR MIM.




segunda-feira, 18 de julho de 2011

Vida encantada

Existe coisa melhor do que Terry Pratchett, autor britânico de livros de fantasia engraçados, onde existem universos mágicos, e com uma aparência de bruxo muito simpática e fofa?


Existe, uma versão feminina dele: Dyana Winne Jones!!



Adentrei os Mundos de Crestomanci através de Vida encantada, que encontrei magicamente por cinco reais, na feira de livros que estava na Praça Siqueira Campos - onde encontrei também alguns exemplares NOVOS de Discworld, do Terry, pelo mesmo preço. Bem, infelizmente, a feira não está mais lá, contudo, deve ser fácil encontrá-la na Cinelândia, no Centro, ou em alguma curva de esquiva, quando se menos espera, de acordo com o desejo do seu coração. IT'S MAGIC.

Como eu ia dizendo, fui convidada a este mágico universo criado por Diana, com o primeiro volume da série. E quem sou eu para criticar alguém que teve aulas com J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis? Antes de ler já gostava, e depois de ler fiquei literalmente encantada.

Vida Encantada conta a história de Eric Chant, ou Gato, um menino fofo e super bonzinho que perdeu os pais em um acidente e é muito apegado a sua irmã, uma bruxa, Gwendolen Chant. Provavelmente eu posso dizer, já que está escrito na contracapa do livro (embora eu preferisse que não estivesse - sou chata para essas coisas), que Gato ganhou este apelido porque possui 9 vidas. Eles vivem em um mundo onde magia existe, embora tudo seja muito realista. Imagina você ter uma vizinha que é clarividente, um outro que é mago e uma menina que tem aulas de magia, como outras crianças tem aula de música; e como existem algumas lojinhas de conveniência, existem também lojinhas de ingredientes exóticos, tipo sangue de dragão (mentira, isso é raro e proibido!!). Alguns, como os governantes, não são muito chegados, mas que a bruxaria existe, existe! Após a morte dos pais, Gato e Gwendolen vivem com a charlatona, porém divertida, e também bruxa, Sra Sharp, mas de alguma forma suas vidas estão relacionadas a Você Sabe Quem. Não, não a "quem" vocês estão pensando exatamente, mas a um homem importantíssimo deste mundo, Crestomanci. Pois é, esta forma de refêrencia nos é um pouco familiar, assim como outras peculiaridades muito importantes do livro... (mas atenção, este aqui foi escrito em 77, digo logo......)

Os dois jovens logo vão morar em um castelo muitíssimo luxuoso, na companhia de empregados, um tutor e uma nova família, a esposa, Millie, e filhos, Júlia e Roger, de Crestomanci - todos mágicos. Mas as coisas lá não são flores encantadas: Gato não é muito sociável e, para um jovem que não tem poderes, é difícil ser popular entre crianças bruxas, e ainda com a "ajuda" da sua irmã, as coisas ficam muito mais dificéis. Boa parte do livro se resume a travessuras (nesse caso, com bruxaria), e a Gwendolen tentando enfernizar Crestomanci, seus filhos e o leitor. Mas de repente as coisas começam a mudar, e a trama começa a ficar verdadeiramente fantástica. Coisas estranhas e misteriosas acontecem, novos personagens verdadeiramente legais surgem, tudo dá errado, errado, errado e, de uma hora para outra, um clímax e tudo dá certo. Ufa. A autora consegue criar um elemento sentimental, e é impossível não se envolver.

Trata-se de um livro infantil, cheio de ideias muito boas e fantásticas (à altura de Pratchett), mas tudo se resolve de maneira simples e fácil de entender: Para crianças! Crianças ficarão inteligentes lendo isto! Existem mundos parelelos, vejam que delícia... e muitas vidas envolvidas e de UMA só pessoa. É muito engraçado, e a graça vem, inclusive, dos personagens adultos, que não são sabichões ou enigmáticos... e é fofo!! Os personagens são muito bons (com excessão de um: Gwendolen, arrghh), mas o melhor sempre é o universo mágico em que a história acontece, onde a magia ocorre sob várias formas, e não necessariamente por meio de uma varinha. Isso se chama criatividade. E é lindo!!!

"- O pai de vocês é um homem tão bonito, deve ser uma decepção para ele que vocês sejam gordos e feios como a sua mãe - comentou [Gwendolen].
As duas crianças olharam-na placidamente por cima de suas montanhas de geléia.
- Ah, não tenho idéia - disse Roger.
- Ser gordo é confortável - Júlia opinou. - Deve ser bem chato parecer uma boneca de porcelana, como você."

Como não amar?
E ainda, uma passagem feminista, vejam só!


"- Não sabe costurar? - Gato perguntou, subindo também. 
- Eu desprezo a costura, é uma prisão para a mulher - Janet explicou. (...)"

Diana é definitivamente uma fofa, linda, mágica e estou apaixonada. Infelizmente ela faleceu recentemente, mas deixou um legado de obras fantásticas. Quero ler todas todas todas de uma só vez!!!


Os Mundos de Crestomanci foram publicados no Brasil pela Geração Editorial. São cinco livros.
E ela possui algumas publicações pela Editora Record (dentre elas O castelo animado, que virou filme), além de muitas obras não publicadas no Brasil.

Vamos ler Diana para sempre.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Desconstruindo o conto da ervilha

Agora tenho uma Tv no meu quarto! \o/
Isso não é tão interessante, mas...

Na estréia do meu mais novo meio de comunicação de massa, passeando pelos canais, vejo na programação o nome: Hans Christian Andersen. Seria uma biografia nada convencional no telecine cult? Não, mas também não lembro o nome do canal. Era uma espécie de canal promocional, lá pelos números 1, 2, 3 da net... enfim, esqueci mesmo! Mas como passei grande parte do semestre lendo sobre Andersen (curso produção editorial, e faço trabalhos sobre contos de fadas, gente... *-*), coloquei lá e estava passando uma animação sobre o conto A princesa e a ervilha. Conclusão, esse post é sobre uma princesa!!!!!!!!!

Bem, conto de fadas é uma das coisas que eu mais gosto na vida. Andersen, por sua vez, foi mais do que um "contador" de contos, ele foi o primeiro escritor de histórias infantis do mundo!!! Imagina nossa vida sem ele, lendo Dostoiévski no esnino fundamental, adquirindo depressão precoce e não chegando nem ao médio (ou talvez só não entendendo nada mesmo). Embora com Andersen não seja tão diferente, afinal ele é o autor de contos como A pequena Sereia, O patinho feio e A pequena vendedora de fósforos, que se não fosse por Walt Disney, e alguns adaptadores de bom coração, traria os mesmos efeitos: trauma, chororô, e morte! 

São de arrepiar... porém lindos.

A princesa e a ervilha, no entanto, é um conto de fadas romântico, leve, com princesa e princípe, que qualquer garota adoraria. Será?? Não sei se vocês conhecem a versão original, mas farei aqui minha reinterpratação.


Era uma vez... um princípe muito mauricinho, com cabelos compridos, loiros e alisados, que deseja se casar para manter as aparências. Ele manda, então, sua mãe arrumar uma noiva para ele, porque obviamente não tem talento para isso e está mais interessado em explorar os aposentos mais escondidos do castelo com a criadagem masculina; mas deixa bem claro que só quer se casar se for com  uma princesa autêntica, pois afinal não pode nem cogitar desposar uma mulher com o cabelo pior que o seu. Sua mãe que tem um nariz empinado, e insiste em achar que seu filho é hétero, sai procurando uma princesa gostosa, frígida, com bom gosto para vestidos, bons genes para transmitir aos netos, cabelo bom, nariz fino, tão perua quanto ela, e fresca! Muito fresca! Certo dia, após procurar infrutíferas vezes nos reinos mais próximos, e ver seu filho rejeitado pelas mais belas donzelas que preferem os capatazes, os sapos e as feras, à noite em meio a um temporal, uma moça pede abrigo no castelo deles. Eles, é claro, abrigam a moça e logo vêem a oportunidade de ouro de desencalhar o playboy. Mas como a perua é metida, e o garoto deixou bem claro suas exigências para casar com uma mulher, a "pretendente" tem que passar por um teste para eles saberem se ela é uma princesa digna de um príncipe mimado, ou não. Antes da menina dormir no quarto de hóspedes, os criados preparam uma cama com 650 colchões, e colocam, em baixo de todos eles, uma ervilha. Se ela for uma princesa de verdade, sentirá o incômodo terrível que um grão de ervilha pode causar. No dia seguinta, a jovem, como era uma patricinha fresca e fútil do cacete, que não tem mais do que reclamar, não sabe o que é lavar uma louça, ou passar necessidade na vida, acordou como se um trator a tivesse atropelado. E aí, a família ficou super feliz porque finalmente achou a perua que se casaria com o princípe e eles, enfim, viveram de fachada, felizes para sempre.

Traduzido do dinamarquês, adaptado e reinterpratado por mim!

Longe de mim blasfemar!!! Andersen nosso rei, é brincadeira, tá? Mas essa história de sexo frágil não dá!!!! Crianças, se vocês interpretarem essa narrativa toda como uma metáfora sobre o verdadeiro amor bater na sua porta quando menos se espera, ou o destino nunca falhar ou, melhor ainda, como mulheres indo à luta, atrás de seus próprios príncipes em meio a tempestades, tudo bem; mas não tirem disso que ser uma princesa significa ser fresca! Princesa da ervilha, não envergonhe a classe!

Definitivamente, não gosto desse conto. Acho super válido uma paródia cinematográfica, dos mesmos criadores de Shrek...

sábado, 25 de junho de 2011

J.K. Rowling

Sim, estamos no final do semestre! E isso significa trabalho pra caramba em dobro, mas também, na maioria dos anos, ESTRÉIA DE HARRY POTTER.

Bom, eu deveria estar (e, de fato, estava) fazendo trilhões de outras coisas, e confesso que postar não estava em meus planos até cinco segundos atrás. Mas vocês sabem, devido ao espírito contagiante do momento, fui motivada. Afinal de contas, nesse ano não teremos qualquer estréia de uma adaptação cinematográfica, mas sim A ÚLTIMA.

Uau. Isso significa uma penca de coisas. Me deixa nervosa, só de pensar. E, como a maioria das coisas que me deixam extremamente sensíveis, eu procuro evitar; ainda não vi trailer, e nem sequer sei o dia da estréia.  Mas, nessa data importante, resolvi falar de sua deusa criadora, o Tolkien feminino e dos dias de hoje: J.K. Rowling.


Sabe ela é uma incógnita pra mim. Eu odeio e adoro. E resolvi falar sobre isso... mais do que falar, listar! Porque, afinal de contas, aqui é o lugar onde eu posso passar horas e horas falando sobre mulheres e os blablablas que penso sobre elas.

Decidi também colocar os argumentos alternados, porque sabem, né, meu amor/ódio pela JK oscilam muito!


A favor: Você pode até achar muita bobeira toda essa comoção toda por trás de uma histórinha de bruxo adolescente, um fenômeno editorial e cinematográfico e tal. Pode até ser. E eu vou explicar porque isso mexe com tanta gente. Na verdade, não preciso explicar. É simplesmente pelo mesmo motivo que existem tantos fãs mais velhos e mais fervorosos de Guerra nas Estrelas, de Senhor dos anéis, etc... Todas as obras tem sua natureza nerd, é claro. Todas são histórias incríveis de fantasia, e NADA melhor que fantasia, mágica e literatura para reproduzir sentimentos e frustrações da vida real. E o elemento crucial, no caso de Harry Potter: a idade. Po, você vai pedir para alguém de 20 anos não adorar personagens que o acompanham desde os DEZ, passando por todos os conflitos, situações que essa pessoa possivelmente viveu e nos quais ela, possivelmente, projetou tudo o que gostaria de ser? Você não conhece o poder da literatura, meu caro!

Contra: Cara, perfavore! Ela não é a melhor escritora do mundo, nem aqui e nem agora! Principalmente em termos de fantasia, temos um milhão de autores cuja criatividade borbulham de amor e beleza, e se traduzem em histórias incrivelmente maravilhosas, e são muito diferente de Harry Potter. Tudo bem, talvez não funcionem para a mesma função, de conquistar novos leitores, mas uma vez que você foi encantado pelo Harry e sua trupe, pode partir para aventuras mais loucas, loucas, loucas pelo mundo da magia, que vai muito além de Hogwarts.

A favor: J.K. Rowling definitivamente escreve bem. Ela pode não ser uma poeta nata, ou uma pedra preciosa da literatura, nem mestra em criar personagens originais (ver mais a frente) mas ela sabe conduzir uma história! Isso tenho orgulho de afirmar com todas as letras. E seu talento, nesse sentido, fica claro quando comparado ao de outras pérolas como Stephenie Meyer. Quando as pessoas comparam Crepúsculo e Harry Potter, eu fico tão passada! Porque suas semelhanças estão apenas no fato de ambos serem leituras infantojuvenis que conquistam e introduzem os pré-adolescentes no mundo da literatura e mais nada. As narrativas são completamente diferentes, e a de JK totalmente superior. Eu acho super válido que Crepúsculo faça sucesso entre seu público-alvo, mas a autora escreve muito mal, a história é super simplória, mal construida, enche linguiça etc... enquanto JK trabalha muito bem fantasia, mistério, “terror” e "drama", conectando pontos do primeiro ao último livro, (coisa que possivelmente confundiria a cabeça simples da Stephenie, caso tentasse fazer).

Contra: Após ler Harry Potter, e descobrindo outros clássicos fantásticos, é possível identificar muitas ideias clichês e muitos possíveis plágios. A comunidade nerd, devota de Neil Gaiman, praticamente processa JK de plágio do “Livros da Magia”, uma história em quadrinhos que conta a história de um rapazinho inglês, branquelo, franzino, que usa óculos fundo de garrafa, tem uma coruja, e vive no mundo real até descobrir que é um dos maiores bruxos do mundo e ser convidado a uma jornada para aprender sobre sua nova condição. E aí? Vocês julgam plágio? É claro que existem ideias recorrentes e personagens clássicos no mundo da literatura, e principalmente quando se restringe um tema. Isso não quer dizer que JK é má, copiona ou coisa do tipo, mas sim que não possui tanta criatividade assim.

Pra finalizar, mais um contra: Ela foi tema de um documentário na GNT, no qual aparece uma cena, em que ela entra em uma loja de sapatos, fecha a loja e diz: “Vou levar todos!”... Sem mais! 
[Não sei se todos compartilham minha indignação, em relação a essa cena. (Sério mexeu com minha raiva descontrolada, gente!) Só para esclarecer, então: Futilidade que nenhum grande escritor passariam em um documentário. Sem contar que eu odeio essa posição que os artistas assumem, após fazerem sucesso, de elite rica, famosa, perua! TU É CELEBRIDADE, POR ACASO?]


Pra fechar com chave de ouro um a favor: E sou muito grata a J.K. Rowling. Ela convidou crianças (eu) de 10, 11, 12 anos a um mundo mágico feito ESPECIALMENTE para elas. Quando surgiu, eu lembro de não me interessar: “ew, garotos!” – pensava. Até que tcharan, li o primeiro livro e não parei mais. Fiquei apaixonada, viciada, extasiada. E li todos incessantemente. Tenho que admitir, Harry Potter, Rony Weasley, Hermione, JK mudaram minha vida! Porque foi a partir de Harry que eu gostei e passei a procurar livros por vontade própria, a me interessar, a acompanhar séries, hoje estudo produção editorial etc. YEAH. RIO DE LÁGRIMAS NO FINAL DE HARRY POTTER!!!!!!!!!! TO FICANDO VELHA! RONY, EU TEMO! - Parabéns JK! Sua missão como escritora infantojuvenil cumprida. E a missão da literatura infantojuvenil reafirmada. Ai que emoção.

E se você tiver uma opinião xiita e preconceituosa contra Harry Potter, ou for  bitolado achando que só existe isso de bom no mundo, venha se ver comigo!!!!!!!!!!! (tenho argumento contra ambos) ;)

terça-feira, 31 de maio de 2011

Fofoca

Não... não é sobre isso que vocês estão pensando.

É sobre a minha mais nova personagem feminina favorita: Rumor.
Ela faz parte da Umbrella Academy, para quem não sabe, a história em quadrinhos escrita por Gerard Way (o vocalista do My Chemical Romance s2), e ilustrada pelo queridíssimo brasileiro Gabriel Bá.

Vejam que divertido: A história é sobre uma academia de super-heróis, formada por um extra-terrestre, disfarçado de senhor normal e rico (o sr Monóculo), que adota bebês especiais. Essas crianças tem super poderes! Sim, é basicamente um X-men, mas MUITO MELHOR, não preciso dizer. Se você tem preconceitos contra Gerard, eu digo logo, que eu acho ele um *gênio* e sua cabeça pirada reflete nas histórias também piradas, loucas, complexas e legais da academia [e não me venham chamá-lo de emo!]. AHH, enfim, eu amo Umbrella Academy!!!



A número Três, ou Allison, ou Rumor (eles tem nome, codinome e numeração), nossa heroína, é uma dessas criancinhas lindas e seu poder é transformar rumores em realidade!! É incrível! Ela diz: "Eu ouvi dizer que bla bla bla" e o bla bla bla acontece, ela destrói o inimigo.

Apesar de ter que dividir a cena com mais 6 companheirinhos, ela se destaca como coadjuvante. Suas características são de uma super mulher, tradicionalmente heroína: ela é cativante, virtuosa, corajosa, apaixonadaaaaa E... tem o cabelo roxo!!!!!!! (Pobre Atena, tão anos 90....). Ah, vai ela é a mais competente, e quase sempre salva todo mundo.

A história começa com os heróis ainda crianças, mas agora eles estão adultos, o pai morreu e a relação familiar está meio abalada. o pessoal deu um tempo na carreira de super-herói e, olha que legal, Rumor virou mãe de família. Ela também tem uma relação romantica tão bonitinha! Daquelas que fica num vai não vai e você fica torcendo, sabe? Não vou revelar com quem, mas já adianto que tem umas relações incestuosas por aí...


É claro que reviravoltas acontecem, e ela perde seus poderes - o que, nesse caso significa ficar muda, mas a história está só começando (aqui no Brasil só tem dois volumes publicados) e muita coisa ainda está por vir. Mas já posso garantir que em momentos emocionantes ela vai virar e dizer: "Eu ouvi dizer que..." e você vai ficar arrepiada de tanta emoção!!!



Ambas foram publicadas pela Editora Devir
The umbrella academy - Suíte do Apocalipse (volume I)
R$ 34,00
The umbrella academy - Dallas (volume II)
R$ 29,00 capa mole
R$ 44,90 capa dura

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Tia Nastácia - nossa preta por dentro e por fora

Meu post poderia ser sobre a Emília, na minha opinião a personagem mais interessante do Sítio do Pica Pau Amarelo, não é a toa que Emília, muitos estudiosos, e leitores da obra dizem - também não é difícil perceber -, é a figura de Lobato. Mas, dada a atual conjuntura, Tia Nastácia é quem merece destaque, e quem, de fato, vem ganhando mais atenção quando o assunto é sítio. Além disso, pra mim a cozinheira é a segunda mais legal. Ela é engraçada, gentil, boazinha. Enquanto Dona Benta assume o papel de vó diferente daquelas que faz tudo pros netinhos que vão visitá-las raramente, - sendo a única responsável por eles, ela é mais séria e intelectual - Tia Nastácia faz as guloseimas pras crianças, constrói seus brinquedos, faz vestidinhos para Emília e Narizinho quando elas precisam ir a alguma festa de gala. É uma fofa! E também, representa aquele cômico papel da senhora antiga que tem medo de tudo, não entende as modernidades, ou no caso do sítio, as fantasias que aparecem por aí, e, em todos os casos, apela para o sinal da cruz (muito fiel às senhoras fofinhas que encontramos por aí, ou às vovós mais antigas como a minha!)

O sítio é um clássico! E melhor ainda, um clássico infantil, coisa difícil na nossa literatura. Seja por uma inspiração artística divina, ou por uma aguçada visão empreendedora, Monteiro Lobato, em plenos anos 20, a todo vapor, voltou sua atenção para as crianças. O cara é o Walt Disney brasileiro, minha gente! Não é difícil perceber que a entidade "Sítio do pica pau amarelo" está para a cultura brasileira, em devidas proporções, como o Mickey Mouse está para os EUA. Comparações a parte, eu acho muito, mas muito importante o que ele fez. Muito da nossa cultura foi feita em busca de afirmação, de construção da brasilidade, o que exige uma seriedade que coloca a arte num patamar elevado. É difícil para uma criança se deparar com uma leitura mais densa, como a maioria de nossos clássicos. Ela não entende, perde o interesse e adquire um trauma. Uma história de aventura, divertida, infantil e muito cativante foi uma contribuição genial pro nosso imaginário cultural, ainda mais uma do porte do Sítio do Pica Pau Amarelo, que não é só um livro, mas uma série deles.

Monteiro Lobato, porém, é uma incógnita cultural brasileira! Ele deixou de ser o manda-chuva editorial, literário e artístico da década de 20, para virar, em plenos anos 2000, uma figura polêmica. Muito se discute a seu respeito, e eu muito penso sobre todas essas discussões, a cada nova revelação, a fim de desmascarar qualquer difamação de um ídolo!

Recentemente, vi na capa da Bravo, algo que me motivou a falar sobre isso. Se trata da seguinte frase: "Um país mestiço onde os brancos não tem força para criar uma Ku Klux Klan é um país perdido." Eu já contei essa história mil vezes, e não aguento mais mencionar essa frase. O fato é que é o tipo exato de frase que não se espera de um intelectual, principalmente de um dos intelectuais mais importantes do Brasil, e popularmente, um escritor infantil. Não preciso avançar mais no texto pra dizer que fiquei muito desapontada. Só me falta agora revelarem que Lewis Carrol era realmente pedófilo, e Alice uma puta mirim, ou acharem uma carta de C.S. Lewis dizendo que era ateu e que Aslam era só mais um rei leão, pra eu realmente desistir da vida e passar a ler contos policiais!

A desilusão começou quando Ziraldo teve a "feliz" idéia de defender seu também ídolo, fazendo a ilustração pro tal do bloco "Que m* é essa?", na qual Monteiro vinha abraçado a uma mulata. Diante disso, surgiram n retaliações na internet. Acabei vendo, por um blog, a carta que uma pesquisadora escreveu a Ziraldo, a fim de desmascará-lo, dessa vez - e consequentemente Lobato. Resumindo bem, ela disse que Monteiro era um racista que acreditava que os negros africanos tinham se vingado dos brancos - que os trouxeram pra cá a força para serem escravos - se misturando com eles, e dando origem à nova raça "horrível" dos mestiços, que se acumulam no subúrbio, nos trens da central e blá blá blá. Coisa bem civilizada, hein Lobatão? (A carta pode ser lida aqui: aqui)

Bom, se a vida inteira nós tentamos nos conformar, pensando que Lobato era fruto de sua época, refletia o pensamento da sociedade daquele momento, com as novas cartas achadas e divulgadas por aí, fica difícil ainda acreditar nisso. Para arrematar, essa história da KKK foi o fim. Não quero mais saber de revelações, de cartas e o que for. Ter um pensamento desse, só nos revela o quanto existem por aí nazistas em potencial. Vamos relaxar e ficar feliz porque uma KKK nunca existiu, aqui pelo menos.

Além do mais, o pobre do homem, não está mais aqui para se defender. Sempre fica em nós uma fagulha de esperança pelo fato de estarmos conhecendo, através desses meios de visibilidade fdps, de um pedaço da história, por mais inexplicável que ele seja, e não a história completa! A questão mais urgente, e a única sobre o qual podemos fazer alguma coisa a respeito, é: MONTEIRO LOBATO DEVE SER LIDO? Voltando, a Tia Nastácia, então. Quando pessoas mais vividas, experientes, com o olhar mais influenciado e atento, lêem o nosso querido Sítio são capazes de perceber N indícios, ou constatações, de racismo, e do que viria a explodir em polêmica mais tarde. Contudo, fico pensando se uma criança, inocente, que não sabe NADA sobre isso (se é que é possível) e não tem noção do que é a maldade do ser humano, seria capaz de perceber. E ainda que perceba, isso a transformaria em racista? Posso ser inocente, mas não consigo entender racismo nos dias de hoje. Eu acredito que uma criança, agora, vai encontrar uma sociedade onde o racismo está totalmente extinto, onde ela possa olhar pro amiguinho preto com naturalidade. E aí, quando ela ler o sítio, não vai ser influenciada, porque a influencia da sociedade vai ser (ou deveria ser) mais forte.

Por outro lado, é MUITO FEIO ler que, enquanto Pedrinho vira um passarinho, Dona Benta não sei o que fofinha, Tia Nastácia virou uma galinha preta. Mas se não ler como saber? Lembrando que os livros nos servem como relatos e conhecimento do passado. E como bem lembrou um sábio que eu conheço chamado André Colares: "queimar livros [nazistas] também é nazismo!".

Apesar disso, eu acho que, em toda sua mente perversa, havia um pouco de bondade, cidadania, noção, ou não sei o que, que fez com que Monteiro ponderasse muito seu preconceito no sítio! Temos um "preta velha", "preta por fora", mas jamais podemos identificar, por trás disso, um desejo de KKK. Numa discussão sobre isso, cheguei ao "x" da questão. Uma amiga disse, que apesar de gostar do Sítio, achava que ele não merecia ser lido, por seu autor ser tão escroto. Eu, então, descobri o motivo da minha indignação. Ele, o autor, não merece ser lido por todas as suas perversões enquanto ser humano, porém fez coisas incríveis que não podem ser ignoradas. E quando eu falo incríveis, não me refiro só ao sítio, ele também fez muita coisa pela nossa cultura, deu origem a produção editorial no Brasil, inseriu a ideia de arte na capa dos livros, livros na escola, foi fundamental para o modernismo... esse homem era danado, se metia em tudo! Como ignorar isso tudo? Quer dizer, talvez como Walt Disney, ele fosse um gênio, e como todo gênio, tivesse um lado perverso.
Se eu vejo alguma coisa boa nisso tudo, é o fato de existir uma negra no sítio, e do autor sempre ressaltar isso. A criança lê o tempo todo que Tia Nastácia é preta, sem maiores pudores, e isso pode sim formar uma pessoa livre de preconceitos, de receios ao se referir ao outro. O que cria o preconceito é o tabu que colocam em torno disso, o que eu considero preconceito disfarçado, sabe, esse papo de "não é preto, é negro."; ou "não existe cor de pele"! Por favor, vamos celebrar a diversidade!

Bom, meus filhos vão ler o Sítio do Pica Pau amarelo, orientados por mim, editora forever! Vão se divertir com as aventuras do Pedrinho e da Narizinho e de todos os outros mil personagens que aparecem. Vão saber que a cozinheira era a Tia Nastácia, que ela é preta, e que fica chateada quando é maltrada pela Emília. Aí eles vão entender que existiam os escravos, e como o ser humano pode ser cruel. Talvez mais no futuro, eles fiquem sabendo que na verdade, o autor do sítio era racista, e leiam os outros livros que ele escreveu para adultos.

E tenho dito. Não quero mais falar sobre racismo porque acho esse assunto muito ultrapassado!
Poxa, isso ficou grande!