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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Um que eu amo muito e outro que acho foda 2

Continuando no mesmo tema, outro dia foi aniversário da minha mãe <3 e passou na tv.... Trabalho sujo, ou Sunshine Cleaning, um filme que amo muito muito muito. Quando vi que tava passando, comentei que gostava, e minha mãe se interessou por ele, pareceu gostar. Vocês não conhecem a minha mãe, mas isso foi uma coisa incrível, adorável; achei o milagre do aniversário. Ou um sinal divino. Ou um vocês vão entender por que.

E aí eu fico pensando porque eu gosto tanto desse filme. Hummm... oh why? why? well, i don't know. Por que tem duas das atrizes mais legais da atualidade? Maybe. Por que a Emily Blunt é incrível? Também. Na verdade, as personagens são incríveis. A história é sobre uma família problemática. Amy, a irmã mais velha, tem uns 30 anos e ganha a vida como diarista. Ela era uma cheerleader no colégio, e claro, uma adolescente linda, perfeita, que todas querem ser, mas agora é uma mãe solteira, amante do cara com quem namorava. Emily é a irmã mais nova, meio junkie; também não tem uma vida muito boa e parece que necessita sempre ser cuidada pela irmã mais velha. Elas tem problemas financeiros até que descobrem que podem ganhar um bom dinheiro limpando cenas do crime. Não sei vocês, mas eu acho esse emprego MUITO LEGAL. Óbvio que eu me desintegraria só de entrar num local assim, com resto de pessoas assassinadas, mas com elas duas fazendo fica simplesmente incrível. Eu as vejo como minhas heroínas vencendo tudo o que eu nunca serei capaz de vencer (bactérias malignas). Acho demais.

Cada personagem tem a sua importancia e uma história peculiar e legal. Esse filme conta uma história simples, nada está fora da realidade, embora nada seja comum. É bem dramático, mas super bonito e bem humorado. A mãe delas morreu, se matou. Isso obviamente as deixou muito sensíveis, assim como o pai, que criou duas meninas sozinho e até hoje tem dificuldade em conduzir essa família. E essa trama dá origem a lindas cenas como a de Emily em baixo do trem (ahn.. não é isso que você está pensando!) e a linda forma delas se comunicarem com quem já morreu. Enfim, só assistindo pra entender. Só estou tentando pontuar a riqueza do filme, mas acho que quero mesmo chamar atenção para as duas personagens centrais, que são mulheres fortes, interessantes e inspiradoras. A vida nem sempre nos torna criaturas bem-sucedidas, perfeitas, maravilhosas e exemplares, o que é sempre nosso sonho, mas isso não quer dizer nada. NADAAAA. A gente pode viver bem e ser foda mesmo assim! =)





Resumindo, esse filme eu amei, mas nessa semana vi outro que acho FODA. Chama-se L'apollonide - Os amores da casa de tolerância, e conta a história de um bordel parisiense no final do século XIX. Quando vi o filme fiquei muito perturbada, porque ele tem cenas fortes. Na verdade não é forte, afinal não tem nenhuma cena pesada em si, nem com sexo ou coisa do tipo. Só é um filme chocante. Mas no dia seguinte, eu estava sentindo algo estranho, falta de alguma coisa, quando percebi que... era do L'apollonide! É isso mesmo, olha que mágico!... O filme é relativamente longo, acho que quase 3, e não acontece muita coisa, só a vida, as noites, os amantes e as prostitutas, então no final das contas eu me senti parte da vida delas, como se tivesse passado um bom tempo com elas (e de fato passei). E elas são legais! Quando pensamos em prostitutas, pensamos em mulheres sensuais, fatais, atraentes, que amam sexo, etc. Mas, no filme, elas são apenas mulheres trabalhando, profissionais, que fazem o que é preciso. E quando se fala em prostitutas, pode-se falar em mulheres livres, que bebem, fumam, falam besteira e não precisam manter uma imagem, reputação, etc. Ahh, isso é tão legal... - Imagina que louco, ser livre...

Os homens vão lá por vários motivos: amam prostitutas, gastam o dinheiro da família, querem sexo, tem uma tara especial... o romance nem sempre está presente nesse mundo. É sério, elas tratam tudo com uma racionalidade incrível. E a minha parte preferida... Um dos clientes fica fazendo cafuné na cabeça das meninas e aí comenta como as cabeças são pequenas. Ele diz que leu um artigo científico que explica como as cabeças das prostitutas são menores e diz que vai emprestar esse artigo pra uma delas ler. E aí está uma das cenas mais lindas que já vi neste e em todos os outros filmes: a prostituta senta no chão e começa a ler o artigo, e chora tanto, mas tanto! Ela lê que a formação de seus crânios é diferente tal qual a de bandidos e ladrões, e o cérebro é afetado por isso e os leva àquela vida. Nessa hora, a tela é dividida em várias cenas delas, e a mulher que lê ocupa um dos quadros... Ela chora tanto, tanto (esse é um dos únicos momentos que alguma delas fica triste, chora, demonstra fraqueza), e a imagem, a música é tudo tão melancólico que eu me senti naquele lugar, naquela época e sofrendo como ela. Imagina você ser sozinha no mundo, estar presa numa parte da sociedade considerada inferior e ler um artigo, um ESTUDO, sobre como você é fisicamente anormal e destinado àquela vida? Oh god... isso é muito forte. O estudo, claro, é falso.
O filme mostra o fim da era dos bordéis, que eram legalizados, para a clandestinidade das prostitutas.
Era um bordel de luxo, bitches!
 
Minha favorita.

domingo, 9 de outubro de 2011

Jane Austen vovó

YEAH!

Gostaria de comemorar muito! Porque uma grande coisa na minha vida está prestes a começar!! A partir de amanhã serei a nova estagiária da BestSeller e isso me faz tão feliz quanto se é possível estar. Finalmente no mercado editorial! YEAAAAH!

Então, vou fazer um post! Porque pode ser que, a partir de agora, eu não tenha tanto tempo e porque tenho uma coisa legal para falar.

O tema de hoje é Jane Austen... e algumas outras coisas!
Ela rende muito assunto, assim como Brigdet Jones. Mas hoje, elas estarão juntas.

Estava o lendo clássico Chick litício O diário de Bridget Jones e BANG! EUREKA! Me caiu uma ficha milionária! Eu percebi uma coisa tão legal, tão interessante e tão óbvia que não sei se todo mundo já sabe. Nem dei uma googleada porque fiquei com medo de todos já terem falado sobre isso.

Então, vou fingir que sou original, gênia e coisa e tal. Vamos à minha tese.

É verdade universalmente reconhecida que Jane Austen influenciou muito toda a literatura, principalmente a feminina. E não só porque todas as meninas amam, não só porque que suas obras são referência para leitoras e autoras mulheres. Orgulho e Preconceito tem mais poder sobre O diário de Bridget Jones do que imaginamos!!

A autora que deu origem aos livros Chick Lit, literatura de mulherzinha, e chamem como quiser, Helen Fielding, faz referências bem claras à obra de 1813: Bridget comenta sobre o clássico e sua adaptação televisiva, e, claro, o nome do personagem Mark Darcy (amor de todas nós). Mas a influência vai muito além disso. Eu arrisco dizer que toda a história de Bridget é nada mais que uma adaptação contemporânea da de Elizabeth Bennet. É claro que as protagonistas são bem diferentes e o formato, também. Fielding escreveu seu romance na moderna forma de diário (contemporânea, mas não tão legal). O diário de Bridget é, portanto, uma releitura, uma homenagem, mas não uma cópia.

Mas, então, quando chegamos ao prezado Mark Darcy, nos damos conta: ele é o mesmo personagem de Jane Austen! Atente para a revelação: Mr Darcy = Mark Darcy e melhor ainda = AMBOS SÃO COLIN FIRTH! É MUITO AMOR PARA POUCOS LIVROS! S2

Foi óbvio? Mas deixem-me continuar.

Bom, eles são absolutamente o mesmo. Se alguém souber alguma diferença, pode falar! Ambos mantém uma relação de implicância com as mocinhas. Mas no final, ambos se revelam a coisa mais perfeita, cavalheiresca e apaixonante do mundo! Apesar do "antipatismo" mais atraente da literatura, os Darcys estão sempre presentes para as moças (Já repararam o quanto isso é perfeito? Quem nunca esteve in love e passeando no shopping, na loja de cama e cozinha, com a mãe, e se pegou imaginando: aaaaaainn... imagina se "ele" aparece por aqui...... Bem, com as sortudas, Bridget e Elizabeth, isso acontece mesmo!). E quando tudo dá errado, eles estão lá. Quando a irmã de Elizabeth e a mãe de Bridget se metem em encrenca, eles que resolvem.

E ainda... em Orgulho e Preconceito, o outro pretendente da mocinha, concorrente de Darcy, foi quem ferrou com a vida dele no passado, fugindo com sua irmã. Lembram? Assim como, Daniel Cleaver, a perdição de Bridget, tem um caso com a esposa de Mark. É perfeito.

E pra completar e matar a leitora/espectadora melodramática de tanto amor, eles colocam o princípe encantando inglês em forma de homem nas duas adaptações. Quando eu li Orgulho e Preconceito tudo o que eu pensava era: *COLIN FIRTH! COLIN FIRTH! COLIN FIRTH!* Mas eu nunca tinha visto o filme e nem sabia da existência da série. Depois eu descobri que o filme não é com ele e foi uma decepção total. Depois eu descobri que tinha uma série que era com ele e ficou quase tudo bem. Depois eu descobri que a Bridget cita o próprio ator no livro e, então, chamaram ele para fazer o filme e ele também fez a série e TUDO FEZ SENTIDO, num eterno loop de Colin Firth! Ai, que catarse!





Voltando à minha tese, se Helen Fielding, com O Diário de Bridget Jones, é a mãe da Chick Lit, e Orgulho e Preconceito foi o grande embrião de sua obra, Jane Austen é a AVÓ!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Declarações de amoooor

Hoje, pra variar um pouco, não vou falar sobre criações femininas. Mas sim sobre amoooor, paixãoooo, declarações, suspiros e homens! Homens que fizeram lindas músicas dedicadas a nós, mulheres.

Bem, não exatamente para nós, mas sempre há a possibilidade de apropriar uma parte pro nosso facebook.

É claro que música romântica é o que mais tem por aí, músicas que citam a palavra "amor", então, nem se fala. Mas a maioria é baboseira, mentirinha para ludibriar as mulheres. Essas daqui não, elas são o puro e velho romantismo, mesmo; belas músicas, autênticas, sinceras... verdadeiras declarações de amor, e o principal, feitas por CARAS LEGAIS!

Começando pela mais clássica, e mais romântica de todos os tempos:

Tá, ela ganhou uma conotação brega, em parte, devido aos vídeos bregas que fizeram para ela no youtube, mas não é!!! Parem e escutem.................... É uma sinfonia!!! Só de ouvir, eu quero chorar! Essa música é tão mas tão tão linda que me faz querer casar de branco, com trinta quilometros de véu, e entrar na igreja com ela tocando só pra mim e parar e chorar chorar chorar de tão linda, e quando acabar, levantar e ir embora!

Logo no começo:
She maybe the face i can't forget
... e no final:

Maybe the reason I survive
The why and wherefore I'm alive
The one I'll care for through the rough and ready years
Me I'll take her laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be
The meaning of my life is

SHE, SHE, SHE


Ai, quantos suspiros para ele. Elvis Costello!! Quanta sensibilidade. clap clap clap... eu jogaria calcinhas!
Quem disse que Woody Allen é o maior conquistador com óculos fundo de garrafa, graças a suas tiradas engraçadinhas? Elvis faz músicas românticaaaasss!!!!!! Tão lindas! Se liga.

A segunda não é bem uma declaração, é mais uma historinha de amor toda trabalhada no ska-punk, LINDA, LINDA, LINDA... que eu amo! 

É tipo, um rapaz meio skatista, meio punk e meio nerd que tem uma amiga que é divertida e espertinha e pede ajuda para terminar seu namoro... ele ajuda porque, afinal, faz tudo para ela... e acaba descobrindo que ela tá mesmo é a fim dele... ownn! seu fofo! É uma história de amor, contada por um garoto meio nerd e roqueiro, sabe? É como um filme de sessão da tarde, só que da época em que a gente curtia filmes da tarde, e suspirava! Tem um triângulo amoroso e, depois, briguinhas de namoradinhos adolescentes, e a menina é obviamente legal. Eu quero ser elaaa!!

Leiam com calma, escutem e desejem ser a mocinha da canção:

She wanted me to tell you to leave.
She wanted me to let you know that you don't understand her, she just needs some time to breathe.
She couldn't have told you better herself cause she was in love with somebody else.
I don't know why I had to be the messenger boy.
I guess that somebody was me.


(...)

You said I was just like him, but that's where you're wrong
HE NEVER WROTE YOU NO LOVE SONG.

Passando de paixões juvenis, para senhores fofos, que deviam conquistar todas as senhorinhas: Louis Armstrong. Ele é fofo, faz jazz, toca trompete. Não precisa de mais para ser romântico. Mas olhem essa letra!!!!!
There must be a way to help me forget that we're through
There must be a way to stop me from dreamin' of you
There must be a star in the skies that isn't reflecting your eyes
I just don't know how to disguise how much I miss you

There must be a song that doesn't remind me of you
There must be a kiss that'll thrill me like yours used to do
I look for a way to be happy, happy with somebody new
Oh, there must be a way but I can't find a way without YOU


Nesse caso a musa é inesquecível! E mesmo querendo muito, tentando de todas as formas, ele não consegue esquecê-la! Ela está nas músicas, nos sonhos, A ESTRELA NO CÉU REFLETE SEUS OLHOS. Aiiinnnn. QUE romântico. Tem que ser muito lindo para escrever algo assim. A mulher que inspirou essa música deve ter morrido de alegria, e se achado a mais poderosa do mundo, né? Eu me acharia.
E por último, não a mais romântica, porque esses boêmios safados provavelmente só queriam pegar a gostosa de biquini... mas, ainda assim, o maior, mais conhecido e mais belo culto à musa inspiradora que o Rio de Janeiro e os gringos já viram:

Todas invejam Helô Pinheiro.

 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Vida encantada

Existe coisa melhor do que Terry Pratchett, autor britânico de livros de fantasia engraçados, onde existem universos mágicos, e com uma aparência de bruxo muito simpática e fofa?


Existe, uma versão feminina dele: Dyana Winne Jones!!



Adentrei os Mundos de Crestomanci através de Vida encantada, que encontrei magicamente por cinco reais, na feira de livros que estava na Praça Siqueira Campos - onde encontrei também alguns exemplares NOVOS de Discworld, do Terry, pelo mesmo preço. Bem, infelizmente, a feira não está mais lá, contudo, deve ser fácil encontrá-la na Cinelândia, no Centro, ou em alguma curva de esquiva, quando se menos espera, de acordo com o desejo do seu coração. IT'S MAGIC.

Como eu ia dizendo, fui convidada a este mágico universo criado por Diana, com o primeiro volume da série. E quem sou eu para criticar alguém que teve aulas com J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis? Antes de ler já gostava, e depois de ler fiquei literalmente encantada.

Vida Encantada conta a história de Eric Chant, ou Gato, um menino fofo e super bonzinho que perdeu os pais em um acidente e é muito apegado a sua irmã, uma bruxa, Gwendolen Chant. Provavelmente eu posso dizer, já que está escrito na contracapa do livro (embora eu preferisse que não estivesse - sou chata para essas coisas), que Gato ganhou este apelido porque possui 9 vidas. Eles vivem em um mundo onde magia existe, embora tudo seja muito realista. Imagina você ter uma vizinha que é clarividente, um outro que é mago e uma menina que tem aulas de magia, como outras crianças tem aula de música; e como existem algumas lojinhas de conveniência, existem também lojinhas de ingredientes exóticos, tipo sangue de dragão (mentira, isso é raro e proibido!!). Alguns, como os governantes, não são muito chegados, mas que a bruxaria existe, existe! Após a morte dos pais, Gato e Gwendolen vivem com a charlatona, porém divertida, e também bruxa, Sra Sharp, mas de alguma forma suas vidas estão relacionadas a Você Sabe Quem. Não, não a "quem" vocês estão pensando exatamente, mas a um homem importantíssimo deste mundo, Crestomanci. Pois é, esta forma de refêrencia nos é um pouco familiar, assim como outras peculiaridades muito importantes do livro... (mas atenção, este aqui foi escrito em 77, digo logo......)

Os dois jovens logo vão morar em um castelo muitíssimo luxuoso, na companhia de empregados, um tutor e uma nova família, a esposa, Millie, e filhos, Júlia e Roger, de Crestomanci - todos mágicos. Mas as coisas lá não são flores encantadas: Gato não é muito sociável e, para um jovem que não tem poderes, é difícil ser popular entre crianças bruxas, e ainda com a "ajuda" da sua irmã, as coisas ficam muito mais dificéis. Boa parte do livro se resume a travessuras (nesse caso, com bruxaria), e a Gwendolen tentando enfernizar Crestomanci, seus filhos e o leitor. Mas de repente as coisas começam a mudar, e a trama começa a ficar verdadeiramente fantástica. Coisas estranhas e misteriosas acontecem, novos personagens verdadeiramente legais surgem, tudo dá errado, errado, errado e, de uma hora para outra, um clímax e tudo dá certo. Ufa. A autora consegue criar um elemento sentimental, e é impossível não se envolver.

Trata-se de um livro infantil, cheio de ideias muito boas e fantásticas (à altura de Pratchett), mas tudo se resolve de maneira simples e fácil de entender: Para crianças! Crianças ficarão inteligentes lendo isto! Existem mundos parelelos, vejam que delícia... e muitas vidas envolvidas e de UMA só pessoa. É muito engraçado, e a graça vem, inclusive, dos personagens adultos, que não são sabichões ou enigmáticos... e é fofo!! Os personagens são muito bons (com excessão de um: Gwendolen, arrghh), mas o melhor sempre é o universo mágico em que a história acontece, onde a magia ocorre sob várias formas, e não necessariamente por meio de uma varinha. Isso se chama criatividade. E é lindo!!!

"- O pai de vocês é um homem tão bonito, deve ser uma decepção para ele que vocês sejam gordos e feios como a sua mãe - comentou [Gwendolen].
As duas crianças olharam-na placidamente por cima de suas montanhas de geléia.
- Ah, não tenho idéia - disse Roger.
- Ser gordo é confortável - Júlia opinou. - Deve ser bem chato parecer uma boneca de porcelana, como você."

Como não amar?
E ainda, uma passagem feminista, vejam só!


"- Não sabe costurar? - Gato perguntou, subindo também. 
- Eu desprezo a costura, é uma prisão para a mulher - Janet explicou. (...)"

Diana é definitivamente uma fofa, linda, mágica e estou apaixonada. Infelizmente ela faleceu recentemente, mas deixou um legado de obras fantásticas. Quero ler todas todas todas de uma só vez!!!


Os Mundos de Crestomanci foram publicados no Brasil pela Geração Editorial. São cinco livros.
E ela possui algumas publicações pela Editora Record (dentre elas O castelo animado, que virou filme), além de muitas obras não publicadas no Brasil.

Vamos ler Diana para sempre.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Desconstruindo o conto da ervilha

Agora tenho uma Tv no meu quarto! \o/
Isso não é tão interessante, mas...

Na estréia do meu mais novo meio de comunicação de massa, passeando pelos canais, vejo na programação o nome: Hans Christian Andersen. Seria uma biografia nada convencional no telecine cult? Não, mas também não lembro o nome do canal. Era uma espécie de canal promocional, lá pelos números 1, 2, 3 da net... enfim, esqueci mesmo! Mas como passei grande parte do semestre lendo sobre Andersen (curso produção editorial, e faço trabalhos sobre contos de fadas, gente... *-*), coloquei lá e estava passando uma animação sobre o conto A princesa e a ervilha. Conclusão, esse post é sobre uma princesa!!!!!!!!!

Bem, conto de fadas é uma das coisas que eu mais gosto na vida. Andersen, por sua vez, foi mais do que um "contador" de contos, ele foi o primeiro escritor de histórias infantis do mundo!!! Imagina nossa vida sem ele, lendo Dostoiévski no esnino fundamental, adquirindo depressão precoce e não chegando nem ao médio (ou talvez só não entendendo nada mesmo). Embora com Andersen não seja tão diferente, afinal ele é o autor de contos como A pequena Sereia, O patinho feio e A pequena vendedora de fósforos, que se não fosse por Walt Disney, e alguns adaptadores de bom coração, traria os mesmos efeitos: trauma, chororô, e morte! 

São de arrepiar... porém lindos.

A princesa e a ervilha, no entanto, é um conto de fadas romântico, leve, com princesa e princípe, que qualquer garota adoraria. Será?? Não sei se vocês conhecem a versão original, mas farei aqui minha reinterpratação.


Era uma vez... um princípe muito mauricinho, com cabelos compridos, loiros e alisados, que deseja se casar para manter as aparências. Ele manda, então, sua mãe arrumar uma noiva para ele, porque obviamente não tem talento para isso e está mais interessado em explorar os aposentos mais escondidos do castelo com a criadagem masculina; mas deixa bem claro que só quer se casar se for com  uma princesa autêntica, pois afinal não pode nem cogitar desposar uma mulher com o cabelo pior que o seu. Sua mãe que tem um nariz empinado, e insiste em achar que seu filho é hétero, sai procurando uma princesa gostosa, frígida, com bom gosto para vestidos, bons genes para transmitir aos netos, cabelo bom, nariz fino, tão perua quanto ela, e fresca! Muito fresca! Certo dia, após procurar infrutíferas vezes nos reinos mais próximos, e ver seu filho rejeitado pelas mais belas donzelas que preferem os capatazes, os sapos e as feras, à noite em meio a um temporal, uma moça pede abrigo no castelo deles. Eles, é claro, abrigam a moça e logo vêem a oportunidade de ouro de desencalhar o playboy. Mas como a perua é metida, e o garoto deixou bem claro suas exigências para casar com uma mulher, a "pretendente" tem que passar por um teste para eles saberem se ela é uma princesa digna de um príncipe mimado, ou não. Antes da menina dormir no quarto de hóspedes, os criados preparam uma cama com 650 colchões, e colocam, em baixo de todos eles, uma ervilha. Se ela for uma princesa de verdade, sentirá o incômodo terrível que um grão de ervilha pode causar. No dia seguinta, a jovem, como era uma patricinha fresca e fútil do cacete, que não tem mais do que reclamar, não sabe o que é lavar uma louça, ou passar necessidade na vida, acordou como se um trator a tivesse atropelado. E aí, a família ficou super feliz porque finalmente achou a perua que se casaria com o princípe e eles, enfim, viveram de fachada, felizes para sempre.

Traduzido do dinamarquês, adaptado e reinterpratado por mim!

Longe de mim blasfemar!!! Andersen nosso rei, é brincadeira, tá? Mas essa história de sexo frágil não dá!!!! Crianças, se vocês interpretarem essa narrativa toda como uma metáfora sobre o verdadeiro amor bater na sua porta quando menos se espera, ou o destino nunca falhar ou, melhor ainda, como mulheres indo à luta, atrás de seus próprios príncipes em meio a tempestades, tudo bem; mas não tirem disso que ser uma princesa significa ser fresca! Princesa da ervilha, não envergonhe a classe!

Definitivamente, não gosto desse conto. Acho super válido uma paródia cinematográfica, dos mesmos criadores de Shrek...

domingo, 19 de junho de 2011

Marguerite Abouet

O Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, mais conhecido como FIQ, também é lugar para mulheres!

Nesta 7ª edição do evento, ele vai nos presentear com a ilustre presença de Marguerite Abouet, a primeira quadrinista africana a participar do festival.


Abouet nasceu na Costa do Marfim em 1971, e aos doze anos se mudou para a França, com seu irmão, para estudar. Ela passou a vida entre empregos como servente, babá, acompanhante de velhinhos, e em meio a isso tudo, descobriu a escrita. Sempre escreveu, embora nunca tenha divulgado seus trabalhos, até conhecer seu marido, o ilustrador Clément Oubrerie, e publicar sua primeira obra, em forma de quadrinho! YEY!


 A artista retrata uma África longe de clichês e estereótipos os quais estamos acostumados a ouvir, quando o assunto é África. Em Aya de Yopougon, sua primeira obra, lemos sobre o cotidiano de três jovens meninas e tudo o que isso envolve: garotos, festas, conflitos, família gigante, irmãos implicantes (isso lhes parece familiar, brasileiras?) e nada de guerras, fome, aids e blá blá blá chato. Em sua obra podemos ler sobre o que mais gostamos: vida de meninas! Aliás, ler e ver! Tudo com o pano de fundo da beleza africana, ilustrada por Clémente, com suas cores, cultura, comidas, sabores e delícias que somos convidados a conhecer.

A graphic novel tem seis volumes, tendo sido o primeiro publicado no Brasil pela L&PM, na coleção Outros Formatos; já foi traduzida para doze idiomas, vendendo mais de 300 cópias em todo o mundo e ganhou o prêmio de melhor história em quadrinhos do Festival Internacional de Angoulême. \o/ E já tem planos de uma apatação cinematográfica. \o/ \o/


Assim como Marjane Satrapi, a quadrinista iraniana, Marguerite (que nome lindo!) decidiu mostrar para meninas pouco viajadas, a vida de um país exótico, o qual poucos tem a oportunidade de conhecer - e sobre o qual muita informação distorcida e estereotipada nos chega -, através de lindos desenhos e cores, que possibilitam uma experiência visual quase tão linda quanto uma física.

Vamos ler!

Na FIQ, a artista lança seu segundo trabalho, Akissi, pela Editora Ática.
Aya de Yopougon, pode ser encontrada no site da L&PM, e em livrarias, por R$ 42,00. E as primeiras páginas podem ser lidas aqui.
A FIQ ocorre dos dias 9 a 13 de Novembro, em Belo Horizonte. Quem quiser um autografo, corre lá. Eu quero!


Quem mais adorou??

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Rave On Buddy Holly

Fiquei tão feliz e surpresa quando, esses dias, pela internet, dei de cara com esta foto na sessão música grátis do Omelete:

Fiona Apple

É claro que na hora imaginei: "Fiona voltoooou!", mas não! Na verdade, a notícia foi quase tão boa quanto isso...
Trata-se de um tributo a Buddy Holly, pioneiro do rock'n'roll, - e muito simpático com seus óculos fundo de garrafa, em um álbum chamado Rave On Buddy Holly, com lançamento previsto para Junho de 2011.
Vários artistas estão gravando versões das músicas de Buddy, e alguns já disponibilizaram as faixas online. Eu, é claro, dou muito destaque para a reunião de divas nesse projeto!!!

She & Him, Florence and the machine, Patti Smith, Karen Elson - a já comentada, musa (agora ex) de Jack White - e Fiona Apple!!!!!! Só gente boa! She & Him não é novidade fazer cover de algum ícone dos anos 50, mas Fiona? Ela está sumida há séculos e estou explodindo de fefefefelicidade por ouvir sua vozinha apocalíptica de novo! Amei.


Confiram as versões: 

E a tracklist completa do disco:

"Dearest" – The Black Keys (2:06)
"Every Day" – Fiona Apple and Jon Brion (2:19)
"It's So Easy" – Paul McCartney (4:35)
"Not Fade Away" – Florence and the Machine (4:02)
"(You're So Square) Baby, I Don't Care" – Cee Lo Green (1:31)
"Crying, Waiting, Hoping" – Karen Elson (2:25)
"Rave On" – Julian Casablancas (1:55)
"I'm Gonna Love You Too" – Jenny O. (2:11)
"Maybe Baby" – Justin Townes Earle (2:06)
"Oh Boy" – She & Him (2:18)
"Changing All Those Changes" – Nick Lowe (1:41)
"Words of Love" – Patti Smith (3:20)
"True Love Ways" – My Morning Jacket (3:25)
"That'll Be the Day" – Modest Mouse (2:15)
"Well... All Right" – Kid Rock (2:09)
"Heartbeat" – The Detroit Cobras (2:20)
"Peggy Sue" – Lou Reed (3:19)
"Peggy Sue Got Married" – John Doe (3:57)
"Raining in My Heart" – Graham Nash (3:30)

E já que estamos falando de Fiona fazendo cover de senhores antigos do rock, o que custa se deliciar com mais um, né?

domingo, 12 de junho de 2011

Mulheres românticas...?

Antes de mais nada, é melhor me apresentar. Quem escreve não é a Marcela, nem uma outra mulher, embora eu fique muito bem de saia. Quem escreve é um cabeludo exemplar masculino chamado Társio, muito prazer. Fui convidado para escrever um post especial para o dia dos namorados, não por eu ser especial, mas porque eu não tenho nada para fazer nesse fim de semana mesmo, minha namorada imaginária está de viagem. Vou falar aqui sobre algo que sempre me intrigou: a falta de romantismo das mulheres nos filmes e além deles.
Você já deve ter visto no cinema homens que, para terem as mulheres de seus sonhos, criam monumentos, tocam serenatas, constroem máquinas do tempo para salvar o seu amor e cruzam o infinito do espaço. E aí eu pergunto: as mulheres que fazem? Quem já viu mocinha alguma mexer um dedo para realizar qualquer feito romântico? Elas só ficam no alto de suas torres, debruçadas na janela, ocupadas em não desmanchar o cabelo. Francamente, com toda essa discussão sobre igualdade de gêneros, é pedir demais para pelo menos abrir a porta do carro para nós, homens?!
Eu sei, eu sei, nós temos uma parcela de culpa aí. Somos capazes de interpretar uma mera gentileza como um gigantesco letreiro luminoso dizendo Avance! Acontece que só agora nós estamos aprendendo o legal de ser mulher. Hum... isso não soou certo. Deixe-me reformular. Só agora estamos aprendendo como é legar deixar a carapaça de macho de lado. O prazer de usar a cor rosa (ou salmão), o de cuidar da casa e dos filhos, o de falar sobre nossas emoções e de sermos frágeis. O fato é que os homens querem ficar no alto da torre também. Por isso é meio chato ver em filmes essas personagens femininas que se dedicam mais em criar mil empecilhos para o cara do que ser legais com ele.
Claro, existem exceções. Em Juno, Ellen Page enche a casa de seu namorado com todo estoque de Tic Tacs da cidade, a marca de bala favorita dele. É de fazer qualquer homem suspirar, principalmente se ele for o diretor-excutivo da Tic Tac Company. Tem também Amelie Poulain, praticamente uma stalker. Ela cria uma série de jogos por toda Paris a fim de criar o encontro perfeito com quem ela imagina ser o amor de sua vida. Um pouco além da conta, para falar a verdade. E acho que posso citar a protagonista de Corra, Lola, corra, mas ainda não vi o filme inteiro. Vai ver ela sacaneia o namorado no final das contas. Mas aí, se me pedirem para citar outro filme, fica mais difícil. Não lembro de nenhum em que a mulher seja ativamente romântica. (posso escutar Marcela gritando Pocahontas na frente de seu computador)
Talvez isso aconteça porque seja mais difícil se abrir no início de um relacionamento, todo mundo fica com seu campo de força emocional operando a 100%, pronto para escapar pela próxima via hiperespacial para bem longe. Depois de um tempo e certa confiança conquistada, elas devem ser mais românticas. E são poucos os filmes que tratam de relações amorosas concretas; quer dizer, sem serem dramas pesados, cheios de crises existenciais. Mas dane-se. Ao meu ver, se as mulheres já pegam em armas para lutar contra aliens em filmes de ação, agora é hora de pegar a guitarra e fazer serenata para seus namorados!
E fica o desafio às visitantes: quem consegue citar um filme que tenha uma personagem romântica e criativa, capaz de amolecer o coração engraxado de um mecânico?


Társio Abranches, mais conhecido como Don Juan, é escritor, desenhista, futuro editor e expert em mulheres. Você pode ler mais em seu blog ou twitter.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Fofoca

Não... não é sobre isso que vocês estão pensando.

É sobre a minha mais nova personagem feminina favorita: Rumor.
Ela faz parte da Umbrella Academy, para quem não sabe, a história em quadrinhos escrita por Gerard Way (o vocalista do My Chemical Romance s2), e ilustrada pelo queridíssimo brasileiro Gabriel Bá.

Vejam que divertido: A história é sobre uma academia de super-heróis, formada por um extra-terrestre, disfarçado de senhor normal e rico (o sr Monóculo), que adota bebês especiais. Essas crianças tem super poderes! Sim, é basicamente um X-men, mas MUITO MELHOR, não preciso dizer. Se você tem preconceitos contra Gerard, eu digo logo, que eu acho ele um *gênio* e sua cabeça pirada reflete nas histórias também piradas, loucas, complexas e legais da academia [e não me venham chamá-lo de emo!]. AHH, enfim, eu amo Umbrella Academy!!!



A número Três, ou Allison, ou Rumor (eles tem nome, codinome e numeração), nossa heroína, é uma dessas criancinhas lindas e seu poder é transformar rumores em realidade!! É incrível! Ela diz: "Eu ouvi dizer que bla bla bla" e o bla bla bla acontece, ela destrói o inimigo.

Apesar de ter que dividir a cena com mais 6 companheirinhos, ela se destaca como coadjuvante. Suas características são de uma super mulher, tradicionalmente heroína: ela é cativante, virtuosa, corajosa, apaixonadaaaaa E... tem o cabelo roxo!!!!!!! (Pobre Atena, tão anos 90....). Ah, vai ela é a mais competente, e quase sempre salva todo mundo.

A história começa com os heróis ainda crianças, mas agora eles estão adultos, o pai morreu e a relação familiar está meio abalada. o pessoal deu um tempo na carreira de super-herói e, olha que legal, Rumor virou mãe de família. Ela também tem uma relação romantica tão bonitinha! Daquelas que fica num vai não vai e você fica torcendo, sabe? Não vou revelar com quem, mas já adianto que tem umas relações incestuosas por aí...


É claro que reviravoltas acontecem, e ela perde seus poderes - o que, nesse caso significa ficar muda, mas a história está só começando (aqui no Brasil só tem dois volumes publicados) e muita coisa ainda está por vir. Mas já posso garantir que em momentos emocionantes ela vai virar e dizer: "Eu ouvi dizer que..." e você vai ficar arrepiada de tanta emoção!!!



Ambas foram publicadas pela Editora Devir
The umbrella academy - Suíte do Apocalipse (volume I)
R$ 34,00
The umbrella academy - Dallas (volume II)
R$ 29,00 capa mole
R$ 44,90 capa dura

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Eternamente Clássico

E a imagem da semana [passada] é...


mais uma vez, da Zupi.

Hahahahahahahaha, como eu AMEI essa intervenção feita por um desconhecido em Veneza. Viva a bruxa malvada do Leste! Aquela cujo rosto não conhecemos, mas sabemos que é uma super diva com suas longas pernas e seus sapatos de rubi!

E como nada nessa vida é por acaso, e eu não sei falar de uma só coisa, aproveito para comentar algo que me deixou extremamente alegre e contagiante! :)

A Editora Barba Negra, em sua coleção Eternamente Clássicos, acaba de lançar, em parceria com a Editora Leya, uma nova e linda edição do incrivelmente clássico O Mágico de Oz!


 EEEEEEEEEE! clap clap clap, bravo, bravo!

Que coisa mais linda! O mágico de Oz, a incrivel história da garotinha Dorothy, acompanhada pelos queridos Homem de Lata, Espantalho, Leão, e seu amiguinho Totó, e suas aventuras pelo mundo maravilhoso de Oz, é um livro que se deve ter na estante. O problema é que, às vezes, é muito difícil encontrar uma edição bacana e integral de um clássico, principalmente um infantojuvenil. Eu mesma já tinha duas edições, mas uma é de bolso (não tão legal para colecionar) e a outra é adaptada. Por isso fiquei tão tão tão feliz com essa iniciativa. A capa é incrivelmente liiiinda, moderna, e mágica. A combinação rosa e amarelo é fantástica. Ah, enfim, eu adorei. E o mais chocante de tudo: custa apenas 19,90. Mas se você ainda está em dúvida entre comprar ou não, não tem certeza se o livro é legal etc, você pode ler o primeiro capítulo no site da Editora e ver se gosta! Não é demais? 

A editora Barba Negra vem há algum tempo conquistando lugar no meu coração com algumas surpresas, mas essa, sem dúvidas, foi a melhor de todas. Já garanti o meu e agurado ansiosamente pelos próximos Clássicos eternos.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Dia da Toalha rosa

Fezliz Dia do Orgulho Nerd!!!!!!!!!!!!!! Para mim!!!!!! Para você!!!!!!! Pro nossos irmãos mais velhos!!! E Pros nossos namorados!!!!!!!
Dia 25 de Maio, Dia da Toalha, em homenagem ao nobre Douglas Adam e sua ilustríssima obra, Guia do Mochileiro das Galáxias, que faz, até hoje, com que todos os nerds saiam de frente de suas tvs e computadores, e viajem por todo o universo.
E aqui nós vamos comemorar o Dia da Toalha Rosa! Homenageando as divas mais nerds!

Matilda
Ela é inteligente, superdotada e ama ler, mas encontra pelo caminho pessoas chatas e carrascas, como seus pais e a diretora de seu colégio. Qualquer pai ficaria feliz com uma filho intelectual, mas os de Matilda a proibem de ler, detestam livros, e até destróem os dela. Eles querem mesmo é que a menina fique na frente da tv, o dia todo, como o irmão. Uma criancinha se daria por convencida e passaria o dia vendo teletubies, mas não Mathilda, nossa nerd mirim! Ela frequenta escondida as bibliotecas, leva livros pra casa, já lê clássicos da literatura, e mais: com apenas 4 anos, já aprendeu a ler sozinha. Quando chega na escola já sabe fazer, de cabeça, cálculos gigantescos, que nem sua professora sabe. E ela é uma nerd tão especial que desenvolve poderes sobrenaturais!


Emma Stone
Tá ela pode até não ser tão nerd assim na vida real, mas já virou a musa dos filmes nerds da nova geração: Superbad, Zumbieland, O roqueiro e, futuramente, a nova franquia do Homem-Aranha. Bem, só por respirar o mesmo ar que Micheal Cera ela já está garantida nessa lista s2



Gretchen, Turma do Recreio


Lembram dela? Fez a infância de meninas jovenzinhas (como eu :P). Ela não é só uma nerd, ela é a nerd da turma. E no estilo clássico: é cdf, dentuça e usa óculos fundo de garrafa.

Josie Geller, Nunca fui beijada
Eee, essa é uma autêntica nerd. Seus anos no colegial foram marcados por rejeição dos garotos, aparelho dentário e muitos vexames. Ela tem 25 anos, se tornou jornalista, mas ainda nunca foi beijada. E agora vai voltar à escola, e passar pelos mesmos traumas, ou seja, uma eterna musa nerd! Mas dessa vez, o final é feliz! EEE!


Megan Fox
Ahn, nerd, Megan Fox? Sei. Ela jura que é viciada em quadrinhos, frequenta eventos nerds e desfila por aí com óculos de armação grande. Tá bom, a gente finge que acredita. O fato é que a bisca não para de aparecer em adaptações de quadrinhos para o cinema, e afins como Transformers, Jonah Hex e Garota Infernal, e, automaticamente, se tornou a musa dos nerds. Hunf.



Amy Farah Fowler, Big Bang Theory
Há um tempo, criaram o personagem nerd perfeito, Sheldon Cooper. Não era possível melhorá-lo, ou melhor, era sim: fazendo uma versão feminina dele! Amy! [Não é a Blossom :( ]. Amy é uma neurocientista (aliás, sua interprete é uma neurocirurgiã, seria, também, uma musa nerd?), e tão inteligente, sistemática e nerd quanto o Sheldon. Tá certo, talvez um pouco menos, a moça não lê quadrinhos, e não é fã do Spok, até onde eu sei. :/


Velma, Scooby Doo
Tá, aí cria um dilema existencial: Daphne x Velma, ou, mais profundamente, Patricinha x Nerd. É difícil, hein. Confesso que sapatinhos lilás pesam um pouco mais sobre mim. Mas, os óculos fazem da Velma a super nerd do grupo. E tenho certeza que nerds mais roots do que eu preferem ela!!!! A Velma é demais, ela é, obviamente, a mais inteligente (talvez a única) e sempre resolve os mistérios usando a lógica e seus conhecimentos científicos. Quer dizer, nada é páreo para ela, pelo menos não seria se ela não perdesse seus óculos frequentemente.


Hermione, Harry Potter


A bruxinha mais inteligente, e cdf do Reino Unido! Passa seu tempo livre na biblioteca, já leu praticamente todos os livros do acervo de Hogwarts, é a primeira a levantar o braço quando um professor faz uma pergunta e, quem diria, usa até artimanhas ilegais para assistir mais de uma aula ao mesmo tempo. Sinto dizer, boy who lived, mas se não fosse pela Hermione, e seus conhecimentos sobre tudo, você não teria sobrevivido tantas vezes, diante daquele-que-não-deve-ser-nomeado!

Jill Thompson


Ela não é só musa ela é a própria criadora, roteirista e desenhista de quadrinhos!!!! Bom, humildemente ela trabalhou com nada mais nada menos no mundo nerd do que Neil Gaiman, com histórias paralelas ligadas ao universo de nada mais, nada menos do que Sandman - "Os Pequenos Perpétuos"!!!!! Precisa dizer mais alguma coisa? Não, mas dizendo mesmo assim, ela desenhou para séries como Monstro do Pântano (s2 s2 s2 s2 s2) e nossa deusa *todas de joelho fazendo reverência* Wonder Woman! Ganhou vários prêmios, dentre eles, um *Eisner*, e é casada com Brian Azzarello, outro quadrinista - autor da série 100 Balas.

Trillian, O Guia do Mochileiro das Galáxias
Ela!!! Como não poderia deixar de ser, a musa da galáxia, criação do todo poderoso e homenageado Douglas Adam e personificada pela Zooey Deschanel: Trillian!!!!!!! Ela é astrofísica e deixou a estilosa inglaterra, para um jornada pelo universo, com um peguete extra-terrestre de duas cabeças. Entende tudo de engenharia espacial e de controle de espaço naves. Conquista o coração de todos os nerds, e causa inveja em todas as nerds. Musa!


Esqueci de alguém?????

Beijo, Micheal Cera!!!!!!!!

domingo, 22 de maio de 2011

Cute feminism

Todo mundo sabe que eu sou fãzoca, tieti da Kate Nash! Mas, fiquei especialmente feliz esses dias, quando, lendo seu blog, e acompanhando as notícias, fiquei sabendo de seu novo projeto. Trata-se do Kate Nash Rock 'N Roll for Girls After School Music Club, uma das coisas mais legais que já vi. Kate, que é pianista, guitarrista, cantora e compositora, estava incomodada com o fato de que grande parte das cantoras mulheres não compõe suas músicas, e que apenas 14% dos músicos que fornecem músicas e ganham dinheiro com o Performing Rights Society, são mulheres. Motivada por isso, e inspirada por Kathleen Hanna (nossa deusa) que fez algo semelhante nos EUA, Kate decidiu visitar cinco colégios só de meninas, fazer pequenas apresentações, conversar com elas, e incentivar novas musicistas. Vocês imaginam como isso é demais? Nesses encontros ela fala sobre grandes exemplos inspiradores, como Patti Smith, Bjork, Joan Jett, mostra filmes de mulheres tocando ao vivo e toca algumas músicas, também.

Em seu blog, My ignorante youth (tem ali em baixo nos meus links), ela relata seus encontros, põe fotos, fala sobre as meninas. Ela conta que muitas chegam para ela e se abrem mesmo... contam que sofrem bullying, mostram suas músicas, falam sobre suas bandas, e algumas simplesmente não acreditam que possam se tornar musicistas. Kate, então, conta os problemas que teve de enfrentar para começar sua própria carreira; que no início, ela também achava que não poderia ser compositora, e como ela, influenciada por bandas punks, percebeu que não precisava ser uma poetisa para isso.

Eu sei, todas as meninas sabem, e todos os meninos também, o que significa ter um ídolo na infância. Como eu até já disse aqui, eles influenciam muito nossa vida, nossas escolhas, nosso comportamento  (eu, por exemplo, era fã da Sandy, tá aí né). E se já fazem isso estando super distantes, quando você pode vê-los raramente em um show, imagina vindo em sua escola, conversar com você, dizer "oi, você é legal, tem talento, não liga pros seus amiguinhos idiotas e tal". Eu, que sempre fui mongol para essas coisas, ficaria, no mínimo, histérica de emoção. Acho muito muito muito importante essa iniciativa. Kate Nash é uma fofa, sem dúvidas! Mas é também uma fofa feminista! E não só no sentido de ah, morte aos homens. Mas no de criar um mundo melhor, usar seu "poder" para transformar a vida de meninas, e pensar, não só em sua carreira, mas no mundo da música, principalmente como um espaço para a mulher se expressar, e exercer seu talento e criatividade.

A matéria completa está aqui, e no blog da Kate. Visitem!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

alô alô marechal!

Estreou semana passada, na Tv Brasil (atenção, não é Canal Brasil, é Tv Brasil, canal 116 na sky), a série Natália. Fiquei muito feliz com essa série por um motivo especial: ELA SE PASSA EM MARECHAL HERMES, minha gente, minha terra natal! É a história de uma menina do subúrbio, de família evangélica, que está iniciando sua carreira de modelo. É uma situação bem delicada, e Natália tem muitos desafios a enfrentar, começando por suas próprias limitações. Enquanto a irmã sonha em ser modelo, Natália é garçonete, evangélica, está noiva e tem certas ressalvas quanto a profissão. Tudo começa por acaso, quando ela vai a uma agência acompanhando a irmã, mas sua incrível beleza rouba a atenção de um agente, interpretado por Cláudio Lins. A atriz que interpreta Natália é a princess Aisha Jambo. 


Além dos conflitos que isso promete gerar com a irmã, ela tem ainda o pai, um fervoroso pastor evangélico, e um noivo, que planeja uma vida a dois enquanto a vida dela promete tomar rumos que nem ela mesmo sabe. Tudo isso em um cenário realíssimo de Marechal Hermes! Ai, lindo. Aliás, Marechal e arredores: galerias em madureira, estações de trem... Super legal reconhecer tudo isso. Hehe



E a série é super bem feita. É bem diferente dos padrões globais. Ela é realista, retrara o subúrbio sem dramas excessivos e sem paródias. Tem comédia, coisas divertidas, com as quais o telespectador se identifica e tem drama. Tudo na dose certa. A produção é boa, são grandes atores conhecidos (Cláudia Ohana, e outros que eu não sei o nome haha!). E a série promete ainda mais: um dos primeiros (sei lá a quantas anda essa estatística...) beijo gay entre homens - já tem até dia: 17 de Julho.

E ainda tá no segundo episódio, dá tempo de acompanhar. Domingo, às 22:30. Não percam!

Falando em Marechal, acho muito pertinente lembrar que tá passando Rio, do diretor Carlos Saldanha, também marechalzense! Meu conterrâneo, galera! Parente!! É claro que todos já sabem desse filme, ou já devem ter visto. A questão é que Rio foi um filme muito criticado por sua essência pouco brasileira, mesmo tendo um diretor brasileiro & suburbano (aquele mesmo lenga lenga, que me cansa, de "o brasil não é só isso....") e eu quero, aqui, defender meu vizinho.

Sem entrar em méritos de bom ou ruim, Rio mostra o Rio dos gringos, afinal de contas o filme é uma produção gringa. E foi eficiente nisso. Minha única insatisfação, nesse sentido, é quanto a música, que poderia ter sido muito menos cara de black eyed peas e mais de Carlinhos Brown, uma vez que a música brasileira faz muito sucesso lá fora. Mas voltando, as paisagens são impecáveis, e ele explora elementos que tornam nossa cidade mundialmente famosa e querida: samba, praia, futebol, bunda! E hoje em dia, é claro, as favelas também não poderiam ser deixadas de lado. E que bom, fico orgulhosa por todas elas, mesmo sabendo que Rio não é só isso.

Muitos são os Rios de Janeiro, ou melhor, muitas são as coisas em um único Rio. É impossível, até para um carioca, conhecer ou contar todas. Eu mesma, só fui ao Maracanã uma vez, e no show da Madonna(!!!!). E Provavelmente, Amy Winehouse e Anne Hathaway conhecem mais da boemia de Santa Tereza do que eu. Fazer o que, bitches! Mas eu sei o que é andar de kombi!, o que é sair do trem às 18h na central (permaneçam sentados, SÉRIO!), sei o que é ficar 2 horas dentro de um ônibus na avenida brasil.... Isso não seria muito legal num filme. Talvez num drama! Ou em um bem experimental.

Se você quer conhecer um Rio mais tenso, veja Cidade de Deus, Tropa de Elite. Se quiser conhecer uma versão mais cool, alternativa, talvez Histórias de amor duram apenas 90 minutos. Uma vida rica e chique na alta zona sul, só com a nata carioca (xi dessa eu conheço menos que o will i am)? Manoel Carlos! Mas se você quer saber um pouco mais da vida normal no subúrbio..... veja Natália. É muito bom!

domingo, 15 de maio de 2011

Versões femininas

Mulheres cantando homens. Versão original x Versão feminina. Quem ganha? Ui, desafio!!!


10º Last Goodbye
Original: Jeff Buckley
x
Cover: Scarlett Johansson

Resultado: Scarlett, por favor delete este vídeo e não nos aborreça mais! JEFFFFFF BUCKLEY.

9º Smells like teens spirit
Original: Nirvana
x
Cover: Tori Amos

Resultado: T...Tori... Tori A... não... Tori, me perdoa, eu queria mas não posso, fracassei! Nirvana, grunge is not dead wins!


8º Everybody's changing
Original: Keane
x
Cover: Lily Allen

Resultado: Lily!

7º No Surprises
Original: Radiohead
x
Cover: Regina Spektor

Resultado: Regina! - Afinal de contas, é mais saudável para nosso psicológico. Com essa versão a gente chora, mas preserva nossos pulsos!

6º Refazenda
Original: Gilberto Gil
x
Cover: Cibelle

Resultado: Cibelle!!!! - Ah, vai uma interpretação muito boa da música.

5º Lotta love
Original: Neil Young
x
Cover: She & Him

Resultado: She & Him!!! - Desculpa Neil, sua música é ótima e ÚNICA e exclusivamente essa música ficou melhor ainda nos vocais suavisíssimos da Zooey (e do M Ward - as versões são FEMININAS mas ele sempre terá lugar neste blog ;)!!!!!!).

Fluorescent Adolescent
Original: Arctic Monkeys
x
Cover: Kate Nash

Resultado: Kate Nash!Kate Nash!Kate Nash!Kate Nash! E tenho dito!

3º Angel
Original: Jimi Hendrix
x
Cover: Fiona Apple

Resultado: Fiona. - Sim, eu sei, qualquer ser no mundo apontaria Jimi Hendrix como vencedor dessa batalha. Mas sou eu, incapaz de deliberar qualquer coisa que envolva o nome de Fiona Apple. s2 Ela vence forever.

2º My generation
Original: The Who
x
Cover: Patti Smith

Resultado: Patti Smith. [Só por força do hábito]


1º: I put a spell on you
Original: Screamin' Jay Hawkins

x
Cover: Nina Simone

Resultado: Empate. - Nina Simone fez uma interpretação marcante, gostosa de se ouvir, mas a de Jay Hawkins é MUITO MANEIRA.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Tia Nastácia - nossa preta por dentro e por fora

Meu post poderia ser sobre a Emília, na minha opinião a personagem mais interessante do Sítio do Pica Pau Amarelo, não é a toa que Emília, muitos estudiosos, e leitores da obra dizem - também não é difícil perceber -, é a figura de Lobato. Mas, dada a atual conjuntura, Tia Nastácia é quem merece destaque, e quem, de fato, vem ganhando mais atenção quando o assunto é sítio. Além disso, pra mim a cozinheira é a segunda mais legal. Ela é engraçada, gentil, boazinha. Enquanto Dona Benta assume o papel de vó diferente daquelas que faz tudo pros netinhos que vão visitá-las raramente, - sendo a única responsável por eles, ela é mais séria e intelectual - Tia Nastácia faz as guloseimas pras crianças, constrói seus brinquedos, faz vestidinhos para Emília e Narizinho quando elas precisam ir a alguma festa de gala. É uma fofa! E também, representa aquele cômico papel da senhora antiga que tem medo de tudo, não entende as modernidades, ou no caso do sítio, as fantasias que aparecem por aí, e, em todos os casos, apela para o sinal da cruz (muito fiel às senhoras fofinhas que encontramos por aí, ou às vovós mais antigas como a minha!)

O sítio é um clássico! E melhor ainda, um clássico infantil, coisa difícil na nossa literatura. Seja por uma inspiração artística divina, ou por uma aguçada visão empreendedora, Monteiro Lobato, em plenos anos 20, a todo vapor, voltou sua atenção para as crianças. O cara é o Walt Disney brasileiro, minha gente! Não é difícil perceber que a entidade "Sítio do pica pau amarelo" está para a cultura brasileira, em devidas proporções, como o Mickey Mouse está para os EUA. Comparações a parte, eu acho muito, mas muito importante o que ele fez. Muito da nossa cultura foi feita em busca de afirmação, de construção da brasilidade, o que exige uma seriedade que coloca a arte num patamar elevado. É difícil para uma criança se deparar com uma leitura mais densa, como a maioria de nossos clássicos. Ela não entende, perde o interesse e adquire um trauma. Uma história de aventura, divertida, infantil e muito cativante foi uma contribuição genial pro nosso imaginário cultural, ainda mais uma do porte do Sítio do Pica Pau Amarelo, que não é só um livro, mas uma série deles.

Monteiro Lobato, porém, é uma incógnita cultural brasileira! Ele deixou de ser o manda-chuva editorial, literário e artístico da década de 20, para virar, em plenos anos 2000, uma figura polêmica. Muito se discute a seu respeito, e eu muito penso sobre todas essas discussões, a cada nova revelação, a fim de desmascarar qualquer difamação de um ídolo!

Recentemente, vi na capa da Bravo, algo que me motivou a falar sobre isso. Se trata da seguinte frase: "Um país mestiço onde os brancos não tem força para criar uma Ku Klux Klan é um país perdido." Eu já contei essa história mil vezes, e não aguento mais mencionar essa frase. O fato é que é o tipo exato de frase que não se espera de um intelectual, principalmente de um dos intelectuais mais importantes do Brasil, e popularmente, um escritor infantil. Não preciso avançar mais no texto pra dizer que fiquei muito desapontada. Só me falta agora revelarem que Lewis Carrol era realmente pedófilo, e Alice uma puta mirim, ou acharem uma carta de C.S. Lewis dizendo que era ateu e que Aslam era só mais um rei leão, pra eu realmente desistir da vida e passar a ler contos policiais!

A desilusão começou quando Ziraldo teve a "feliz" idéia de defender seu também ídolo, fazendo a ilustração pro tal do bloco "Que m* é essa?", na qual Monteiro vinha abraçado a uma mulata. Diante disso, surgiram n retaliações na internet. Acabei vendo, por um blog, a carta que uma pesquisadora escreveu a Ziraldo, a fim de desmascará-lo, dessa vez - e consequentemente Lobato. Resumindo bem, ela disse que Monteiro era um racista que acreditava que os negros africanos tinham se vingado dos brancos - que os trouxeram pra cá a força para serem escravos - se misturando com eles, e dando origem à nova raça "horrível" dos mestiços, que se acumulam no subúrbio, nos trens da central e blá blá blá. Coisa bem civilizada, hein Lobatão? (A carta pode ser lida aqui: aqui)

Bom, se a vida inteira nós tentamos nos conformar, pensando que Lobato era fruto de sua época, refletia o pensamento da sociedade daquele momento, com as novas cartas achadas e divulgadas por aí, fica difícil ainda acreditar nisso. Para arrematar, essa história da KKK foi o fim. Não quero mais saber de revelações, de cartas e o que for. Ter um pensamento desse, só nos revela o quanto existem por aí nazistas em potencial. Vamos relaxar e ficar feliz porque uma KKK nunca existiu, aqui pelo menos.

Além do mais, o pobre do homem, não está mais aqui para se defender. Sempre fica em nós uma fagulha de esperança pelo fato de estarmos conhecendo, através desses meios de visibilidade fdps, de um pedaço da história, por mais inexplicável que ele seja, e não a história completa! A questão mais urgente, e a única sobre o qual podemos fazer alguma coisa a respeito, é: MONTEIRO LOBATO DEVE SER LIDO? Voltando, a Tia Nastácia, então. Quando pessoas mais vividas, experientes, com o olhar mais influenciado e atento, lêem o nosso querido Sítio são capazes de perceber N indícios, ou constatações, de racismo, e do que viria a explodir em polêmica mais tarde. Contudo, fico pensando se uma criança, inocente, que não sabe NADA sobre isso (se é que é possível) e não tem noção do que é a maldade do ser humano, seria capaz de perceber. E ainda que perceba, isso a transformaria em racista? Posso ser inocente, mas não consigo entender racismo nos dias de hoje. Eu acredito que uma criança, agora, vai encontrar uma sociedade onde o racismo está totalmente extinto, onde ela possa olhar pro amiguinho preto com naturalidade. E aí, quando ela ler o sítio, não vai ser influenciada, porque a influencia da sociedade vai ser (ou deveria ser) mais forte.

Por outro lado, é MUITO FEIO ler que, enquanto Pedrinho vira um passarinho, Dona Benta não sei o que fofinha, Tia Nastácia virou uma galinha preta. Mas se não ler como saber? Lembrando que os livros nos servem como relatos e conhecimento do passado. E como bem lembrou um sábio que eu conheço chamado André Colares: "queimar livros [nazistas] também é nazismo!".

Apesar disso, eu acho que, em toda sua mente perversa, havia um pouco de bondade, cidadania, noção, ou não sei o que, que fez com que Monteiro ponderasse muito seu preconceito no sítio! Temos um "preta velha", "preta por fora", mas jamais podemos identificar, por trás disso, um desejo de KKK. Numa discussão sobre isso, cheguei ao "x" da questão. Uma amiga disse, que apesar de gostar do Sítio, achava que ele não merecia ser lido, por seu autor ser tão escroto. Eu, então, descobri o motivo da minha indignação. Ele, o autor, não merece ser lido por todas as suas perversões enquanto ser humano, porém fez coisas incríveis que não podem ser ignoradas. E quando eu falo incríveis, não me refiro só ao sítio, ele também fez muita coisa pela nossa cultura, deu origem a produção editorial no Brasil, inseriu a ideia de arte na capa dos livros, livros na escola, foi fundamental para o modernismo... esse homem era danado, se metia em tudo! Como ignorar isso tudo? Quer dizer, talvez como Walt Disney, ele fosse um gênio, e como todo gênio, tivesse um lado perverso.
Se eu vejo alguma coisa boa nisso tudo, é o fato de existir uma negra no sítio, e do autor sempre ressaltar isso. A criança lê o tempo todo que Tia Nastácia é preta, sem maiores pudores, e isso pode sim formar uma pessoa livre de preconceitos, de receios ao se referir ao outro. O que cria o preconceito é o tabu que colocam em torno disso, o que eu considero preconceito disfarçado, sabe, esse papo de "não é preto, é negro."; ou "não existe cor de pele"! Por favor, vamos celebrar a diversidade!

Bom, meus filhos vão ler o Sítio do Pica Pau amarelo, orientados por mim, editora forever! Vão se divertir com as aventuras do Pedrinho e da Narizinho e de todos os outros mil personagens que aparecem. Vão saber que a cozinheira era a Tia Nastácia, que ela é preta, e que fica chateada quando é maltrada pela Emília. Aí eles vão entender que existiam os escravos, e como o ser humano pode ser cruel. Talvez mais no futuro, eles fiquem sabendo que na verdade, o autor do sítio era racista, e leiam os outros livros que ele escreveu para adultos.

E tenho dito. Não quero mais falar sobre racismo porque acho esse assunto muito ultrapassado!
Poxa, isso ficou grande!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Um parêntese

Estou preparando meu post de inauguração (hehe). Mas enquanto isso, surgiu uma oportunidade muito legal, que venho aqui divulgar:
http://www.cinemanosso.org.br/content/no-feminino-de-candy-saavedra-pre-estreia-no-cinema-nosso





A pré-estréia do curta metragem No feminino, nesta quinta-feira (28 de Abril), com sessões às 18:30, 19:30 e às 20:30.
O Cinema Nosso é um espaço muito legal, na Lapa, que sempre oferece uma programação ótima e gratuita (além de oficinas, cursos etc)! Vale a pena prestigiar! Além da proposta do filme parecer bem interessante, né? (Fiquei sabendo pelo @cinemanosso_rj)


"Segundo Candy, o curta metragem não apenas dialoga com a condição feminina, mas a utiliza para propor novas possibilidades de existência. Trata-se de um filme que explora o universo íntimo da mulher, enfatizando, na linguagem e na temática, os elementos essenciais de sua composição."