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sábado, 21 de abril de 2012

E quando o fim chegar, se debulhe em lágrimas.

Livro lindo. Lindo. Lindo. Lindo. (...)
E tudo o que eu quero fazer é chorar, chorar, chorar.
Ai, meu deuuuuus, por que esse ele me disse essas coisas todas?
Ah, os amantes... tão estúpidos dizendo "te amarei para sempre".
Não, ninguém aqui amara para sempre, aaaaaaaaaaaaah, tratem de enxergar.
Todos vamos morrer e, conosco, nosso amor. Isso é lindo? Não sei. É triste? É. E como pode um final não ser feliz? Não faz sentido. Mas é.
E quando isso acontecer, as lágrimas vão te ajudar a lembrar o que foi bom.
Mas não precisa se preocupar porque o amor não vai acabar - não antes de você.
Como disse Daniel Johns (e eu sabia que um dia iria entender): "things that end never truly begin" - mesmo se isso estiver fora de contexto.
Só vai existir um amor, que não vai acabar... há, olha aí de novo, vai acabar!! Aí é que está.
Não ame pra sempre, ame pra agora. E, como o livro, quando acabar, chore :(((((((








quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Títulos legais

Uolá!
Quanto tempo sem postar aqui. Mas não é por falta de gosto, de vontade, ou de ter o que falar (talvez)... mas sim por preguiça!
Tenho lido alguns livros muito bons e sido muito feliz, minha gente!
E estou preparando um post muito legal (só pra animar vocês).

Então, tem coisa mais útil do que um blog para falar sobre um livro bacana que ninguém conhece?
Como o último post disse, o melhor livro que li ano passado foi logo o primeiro. E parece que essa "maldição" tende a se repetir over and over and over again (imaginem a voz fofa da Zooey Deschanel falando essa parte em inglês).

Comecei o ano lendo um livro muuuuuuuuuuuito bacana. Mas tão bacana que eu não sei como dizer. Mentira, sei sim: pelo título.




Acabo de provar pra vocês que esse título é muito bom, né? Não preciso dizer mais nada, esse longo título já diz muito.
Ele é de uma editora que eu nunca ouvi falar: Relume Dumara. Mas dentro do livro descobri que pertence à Ediouro Publicações. Nunca vi resenha, publicidade e nada sobre! Descobri de forma angelical, predestinada, numa queima de estoque da Saraiva Online; o livro estava por R$ 9,90. 

Muitas coisas influenciam a decisão de comprar um livro. O autor, a capa, pros mais mão-de-vaca o preço... e o título! Em tempos de nome-de-livros-com-uma-palavra-só, foi essa coisa de "O Escritos partido em dois não sei o que", que até hoje eu não consegui decorar, que me fez comprar o livro na mesma hora.
Primeiro porque ele é muito criativo, segundo porque é a história de um editor, terceiro porque tem "robôs" no meio. (Querem me conquistar? Aprenderam as três palavras-chaves, hein?)

Isso pra mim é uma mensagem. Escritores: sejam criativos! Pensem, deem significado pra porra toda que vocês escreverem. Não se deve escrever um "-Olá" sem motivo. E isso não serve só pra escritores, mas para qualquer um de nós. Se quando fossemos salvar uma foto no computador, criar uma pasta ou legendar uma foto no Facebook, fossemos mais criativos do que "Marcela.1"/"Informações1"/"Eu", o mundo seria um lugar bem mais inteligente.

E serve também para músicos como a Adele que colocam o nome do disco com a sua idade. Hehehe... ok, isso foi uma crítica gratuíta. Estou brincando, não conheço Adele, imagino que o nome do disco seja uma forma de dizer "faço muito sucesso e ganho muito dinheiro mesmo tendo a mesma idade que você". É claro que eu poderia ter criticado She & Him, que titula seus álbuns como "Volume One" e "Volume Two", mas tomem tenência, quando em sã consciência eu vou criticá-los?

Mas quanto a história, ela não deixa a desejar. É sobre um editor, Rámon, que se vê bem no meio do furacão de mudanças, digamos, muito significativas, do mercado editorial. A história se passa na Espanha, e a primeira coisa legal, do ponto de vista de uma aspirante a editora, é ver como é diferente a Editora em que Rámon trabalha. Ela é um grande grupo Empresarial que cuida de outras mídias como tv, música, etc... A parte editorial é, claro, o segmento mais fraco, e os responsáveis planejam tomar medidas extremas para transformá-lo no ponto forte do negócio. Essa pra mim é a genialidade do enredo, embora não do livro como um todo; a leitura é incrível - tanto quanto o título - por muitos outros motivos.

A Editora onde Rámon trabalha é uma das grandes que dominam o mercado e engolem as pequenas que tentam sobreviver. Mas o pobre editor é apenas um subordinado que vai sendo levado pelo ritmo louco da trama. Ele é convidado a participar de um Congresso, onde vai compreender (e a gente também) melhor o rumo desse mercado editorial, e apresentar seu autor aos novos meios de produção da Editora. Muito louco. Além de tudo, muito divertido de ler... o Congresso é o máximo. Mas aí, toda a confusão começa, e as loucuras só aumentam.

Rámon é a pessoa mais engraçada e carismática da Literatura. Prefiro não falar sobre sua peculiar personalidade, mas ela é muito bem desenvolvida e torna tudo muito legal. Eu não conheço esse autor, mas ele criou uma trama muito boa, crítica e ao mesmo tempo com muito humor. E além do clima ficção científica, tem um suspense policial também.

O livro é uma mistura de 1984, Poderoso Chefão, Superman e uma pitada de Douglas Adams (não tão engraçado, mas isso já quer dizer muito engraçado). É, nesse nível! E na minha opinião, a maior crítica é sobre a indústria cultural, que engloba a Literatura mesmo que não seja tão evidente quanto na indústria cinematográfica e musical. 

E a melhor forma de protestar foi nos dando boa leitura! Por isso, LEIAM!

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Restrições Literárias

Antes de tudo:
Tá achando o blog feio? Sem graça? Não aguenta mais olhar pra essa mesmice? Está lhe dando náuseas?
À mim, também. Por favor, se ofereça para fazer um novo layout. HELP ME. To aprisionada. Não aguento mais!

Acho que um mal/um bem que aflige a população viciada/que gosta de ler é querer ler tudo o que vê pela frente.

Elogiado pela crítica? Quero ler.
Elogiado por seu professor ultra mega intelectual conceituado das Letras? Quero ler.
Resenhado num blog? Quero ler.
Seus amigos inteligentes citam fingindo que lêem? Quero ler.
Tem a capa bonita? Quero ler.
Concorrente do Crepúsculo? Quero ler.
Tem cem páginas? Quero ler.
Lançamento? Quero ler.
Super promoção de R$ 9,90 no Submarino? Quero ler.

Eu sou assim. Não posso evitar querer ler tudo o que vejo pela frente e acabo lendo muita porcaria. Mas podem confiar em mim, porque tenho bom gosto, juro.

O fato é que tenho meus pontos fracos. Livros que eu olho, olho de novo, leio sobre, vejo promoção e não tchum!!! Aquele foguinho dentro de mim nem faísca.
Não, eu absolutamente não tenho preconceitos. Apenas "restrições".

Este é um post-confissão, e também um pedido: DESPERTEM MINHA VONTADE!

Vamos lá, então. 

Eu não tenho vontade de ler

Ágatha Christie
Me perdoeeem! Eu quero mudar!
Eu sei que ela é a RAINHA do crime, mas eu nunca li, e nunca tenho vontade de ler. Eu sempre me obrigo a olhar a variedade de títulos dos livrinhos pequenininhos e baratinhos da L&PM Pocket. Vejo, vejo, vejo... e cadê vontade? Eu me sinto maaaaaaaal! É muito triste! Mas eu tenho uma justificativa (não)... eu não gosto de romance policial. (COISA CHATA, ufa desabafei)
Eu me sinto problemática. Ouço pessoas comentando suas leituras policiais: "Eu não conseguia largar o livro", "To louco de curiosidade", enquanto eu penso comigo mesma: "Não, não quero saber quem matou seu amante", "Desculpa, eu poderia ler até o final, mas é que não me importo!", "Eu poderia fechar o livro right now e não faria nem um pouquinho de diferença" - Eu já fiz isso.
Mas eu planejo romper essa barreira dentro de mim. O escolhido foi:
Não me perguntem porque. Não perguntem quando. Mas um dia vou ler.
Quer dizer, se for o livro errado, ME DIGAM. Se houver um mais apropriado, ME INCENTIVEM. Eu me sinto em falta com a Literatura Feminina!

Marthinha Medeiros
Hm, bom, eu odeio Martha Medeiros.
Posso estar errada. Minha única relação com ela foi numa crônica de jornal e no seriado e filme Divã - mas quase não vi também.
Me desculpem, mas na minha opinião, ela é uma pseudo-intelectual/pseudo-feminista. Eu gosto de Chick-lit, mas o que ela faz é um Chick-lit com lição de moral no fim, para: mulheres maduras, modernas E inteligente; que não se permitem serem só erradas, engraçadas ou escrachadas. Não presta. Leia Chick-lit para se divertir e não para tirar daí uns minutos de sabedoria de Ana Maria Braga. Vocês podem mais.
Rival maravilhosa: CLAUDIA TAJES.

O homem que não amava as mulheres
Poxa, sabe. TODO fucking mundo que eu ouço falar desse livro, fala bem. Mais que isso, fala: "É incrível, sensacional, não consigo parar de ler". Esse "não consigo parar de ler" é crucial porque se TODO mundo diz isso, meu irmão, alguma coisa tem. Mas eu sou tão tentada a não ler. Não quero, a não ser por essas pessoas todas. Pensando bem, eu vou ler. O que vocês acham? Na verdade, eu desejava (como os livros acima) lê-lo, até que uma amiga disse a palavra mágica: "policial" e fiuuun (a chama apagando). Desisti na hora. Mas enfim, não sei o que faço. Talvez eu leia.

O Diário de Anne Frank
Nããããooo! Mas que coisa, não quero ler esse livro. Eu sei que todo mundo já leu, é bom, mas não quero, não, obrigada. Primeiro porque eu não quero ler histórias de nazismo, especialmente diários reais. Me chamem de alienada, digam que eu moro num mundo de fantasias. Mas gente, ler sofrimento, tristeza e cenas fortes é ruim demais! Quer dizer, às vezes vai, funciona, é bonito. Mas, na maioria das vezes, eu prefiro não ler. Eu gosto de fantasia, minha gente!... Bom, e segundo, só porque eu não tenho vontade mesmo.

O Diário da Princesa
Eu tenho vontade de ler Meg Cabot, embora não O Diário da Princesa. O motivo é simplês: quando eu era criança, eu descobri várias coisinhas legais, tipo Harry Potter e uma série de livros, desenho animados e filmes que fizeram parte da minha infância. Esse livro era dessa época, mas eu não o descobri!! Eu não sabia de sua existência até ser grande demais para ele. E agora passou minha época, então, não vou mais lê-lo (criança traumatizada, emburrada, fazendo pirraça). Provalvemente, se o tivesse lido, agora eu seria uma fã da Meg, mas nunca li! Então, vou ler um dela para adultos e ponto. 
PS: Sou fã da Anne Hathaway, que fez o filme - e vi o filme.

Ufa!!! Desabafei! Não contem pra ninguém. Não me julguem... Se eu estiver perdendo alguma coisa, ME AVISEM CORRENDO, por favor. E se quiserem falar sobre suas restrições literárias, também, compartilhem comigo! E vamos difundir esse novo termo, cunhado pela primeira vez POR MIM.




quinta-feira, 21 de julho de 2011

Declarações de amoooor

Hoje, pra variar um pouco, não vou falar sobre criações femininas. Mas sim sobre amoooor, paixãoooo, declarações, suspiros e homens! Homens que fizeram lindas músicas dedicadas a nós, mulheres.

Bem, não exatamente para nós, mas sempre há a possibilidade de apropriar uma parte pro nosso facebook.

É claro que música romântica é o que mais tem por aí, músicas que citam a palavra "amor", então, nem se fala. Mas a maioria é baboseira, mentirinha para ludibriar as mulheres. Essas daqui não, elas são o puro e velho romantismo, mesmo; belas músicas, autênticas, sinceras... verdadeiras declarações de amor, e o principal, feitas por CARAS LEGAIS!

Começando pela mais clássica, e mais romântica de todos os tempos:

Tá, ela ganhou uma conotação brega, em parte, devido aos vídeos bregas que fizeram para ela no youtube, mas não é!!! Parem e escutem.................... É uma sinfonia!!! Só de ouvir, eu quero chorar! Essa música é tão mas tão tão linda que me faz querer casar de branco, com trinta quilometros de véu, e entrar na igreja com ela tocando só pra mim e parar e chorar chorar chorar de tão linda, e quando acabar, levantar e ir embora!

Logo no começo:
She maybe the face i can't forget
... e no final:

Maybe the reason I survive
The why and wherefore I'm alive
The one I'll care for through the rough and ready years
Me I'll take her laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be
The meaning of my life is

SHE, SHE, SHE


Ai, quantos suspiros para ele. Elvis Costello!! Quanta sensibilidade. clap clap clap... eu jogaria calcinhas!
Quem disse que Woody Allen é o maior conquistador com óculos fundo de garrafa, graças a suas tiradas engraçadinhas? Elvis faz músicas românticaaaasss!!!!!! Tão lindas! Se liga.

A segunda não é bem uma declaração, é mais uma historinha de amor toda trabalhada no ska-punk, LINDA, LINDA, LINDA... que eu amo! 

É tipo, um rapaz meio skatista, meio punk e meio nerd que tem uma amiga que é divertida e espertinha e pede ajuda para terminar seu namoro... ele ajuda porque, afinal, faz tudo para ela... e acaba descobrindo que ela tá mesmo é a fim dele... ownn! seu fofo! É uma história de amor, contada por um garoto meio nerd e roqueiro, sabe? É como um filme de sessão da tarde, só que da época em que a gente curtia filmes da tarde, e suspirava! Tem um triângulo amoroso e, depois, briguinhas de namoradinhos adolescentes, e a menina é obviamente legal. Eu quero ser elaaa!!

Leiam com calma, escutem e desejem ser a mocinha da canção:

She wanted me to tell you to leave.
She wanted me to let you know that you don't understand her, she just needs some time to breathe.
She couldn't have told you better herself cause she was in love with somebody else.
I don't know why I had to be the messenger boy.
I guess that somebody was me.


(...)

You said I was just like him, but that's where you're wrong
HE NEVER WROTE YOU NO LOVE SONG.

Passando de paixões juvenis, para senhores fofos, que deviam conquistar todas as senhorinhas: Louis Armstrong. Ele é fofo, faz jazz, toca trompete. Não precisa de mais para ser romântico. Mas olhem essa letra!!!!!
There must be a way to help me forget that we're through
There must be a way to stop me from dreamin' of you
There must be a star in the skies that isn't reflecting your eyes
I just don't know how to disguise how much I miss you

There must be a song that doesn't remind me of you
There must be a kiss that'll thrill me like yours used to do
I look for a way to be happy, happy with somebody new
Oh, there must be a way but I can't find a way without YOU


Nesse caso a musa é inesquecível! E mesmo querendo muito, tentando de todas as formas, ele não consegue esquecê-la! Ela está nas músicas, nos sonhos, A ESTRELA NO CÉU REFLETE SEUS OLHOS. Aiiinnnn. QUE romântico. Tem que ser muito lindo para escrever algo assim. A mulher que inspirou essa música deve ter morrido de alegria, e se achado a mais poderosa do mundo, né? Eu me acharia.
E por último, não a mais romântica, porque esses boêmios safados provavelmente só queriam pegar a gostosa de biquini... mas, ainda assim, o maior, mais conhecido e mais belo culto à musa inspiradora que o Rio de Janeiro e os gringos já viram:

Todas invejam Helô Pinheiro.

 

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Desconstruindo o conto da ervilha

Agora tenho uma Tv no meu quarto! \o/
Isso não é tão interessante, mas...

Na estréia do meu mais novo meio de comunicação de massa, passeando pelos canais, vejo na programação o nome: Hans Christian Andersen. Seria uma biografia nada convencional no telecine cult? Não, mas também não lembro o nome do canal. Era uma espécie de canal promocional, lá pelos números 1, 2, 3 da net... enfim, esqueci mesmo! Mas como passei grande parte do semestre lendo sobre Andersen (curso produção editorial, e faço trabalhos sobre contos de fadas, gente... *-*), coloquei lá e estava passando uma animação sobre o conto A princesa e a ervilha. Conclusão, esse post é sobre uma princesa!!!!!!!!!

Bem, conto de fadas é uma das coisas que eu mais gosto na vida. Andersen, por sua vez, foi mais do que um "contador" de contos, ele foi o primeiro escritor de histórias infantis do mundo!!! Imagina nossa vida sem ele, lendo Dostoiévski no esnino fundamental, adquirindo depressão precoce e não chegando nem ao médio (ou talvez só não entendendo nada mesmo). Embora com Andersen não seja tão diferente, afinal ele é o autor de contos como A pequena Sereia, O patinho feio e A pequena vendedora de fósforos, que se não fosse por Walt Disney, e alguns adaptadores de bom coração, traria os mesmos efeitos: trauma, chororô, e morte! 

São de arrepiar... porém lindos.

A princesa e a ervilha, no entanto, é um conto de fadas romântico, leve, com princesa e princípe, que qualquer garota adoraria. Será?? Não sei se vocês conhecem a versão original, mas farei aqui minha reinterpratação.


Era uma vez... um princípe muito mauricinho, com cabelos compridos, loiros e alisados, que deseja se casar para manter as aparências. Ele manda, então, sua mãe arrumar uma noiva para ele, porque obviamente não tem talento para isso e está mais interessado em explorar os aposentos mais escondidos do castelo com a criadagem masculina; mas deixa bem claro que só quer se casar se for com  uma princesa autêntica, pois afinal não pode nem cogitar desposar uma mulher com o cabelo pior que o seu. Sua mãe que tem um nariz empinado, e insiste em achar que seu filho é hétero, sai procurando uma princesa gostosa, frígida, com bom gosto para vestidos, bons genes para transmitir aos netos, cabelo bom, nariz fino, tão perua quanto ela, e fresca! Muito fresca! Certo dia, após procurar infrutíferas vezes nos reinos mais próximos, e ver seu filho rejeitado pelas mais belas donzelas que preferem os capatazes, os sapos e as feras, à noite em meio a um temporal, uma moça pede abrigo no castelo deles. Eles, é claro, abrigam a moça e logo vêem a oportunidade de ouro de desencalhar o playboy. Mas como a perua é metida, e o garoto deixou bem claro suas exigências para casar com uma mulher, a "pretendente" tem que passar por um teste para eles saberem se ela é uma princesa digna de um príncipe mimado, ou não. Antes da menina dormir no quarto de hóspedes, os criados preparam uma cama com 650 colchões, e colocam, em baixo de todos eles, uma ervilha. Se ela for uma princesa de verdade, sentirá o incômodo terrível que um grão de ervilha pode causar. No dia seguinta, a jovem, como era uma patricinha fresca e fútil do cacete, que não tem mais do que reclamar, não sabe o que é lavar uma louça, ou passar necessidade na vida, acordou como se um trator a tivesse atropelado. E aí, a família ficou super feliz porque finalmente achou a perua que se casaria com o princípe e eles, enfim, viveram de fachada, felizes para sempre.

Traduzido do dinamarquês, adaptado e reinterpratado por mim!

Longe de mim blasfemar!!! Andersen nosso rei, é brincadeira, tá? Mas essa história de sexo frágil não dá!!!! Crianças, se vocês interpretarem essa narrativa toda como uma metáfora sobre o verdadeiro amor bater na sua porta quando menos se espera, ou o destino nunca falhar ou, melhor ainda, como mulheres indo à luta, atrás de seus próprios príncipes em meio a tempestades, tudo bem; mas não tirem disso que ser uma princesa significa ser fresca! Princesa da ervilha, não envergonhe a classe!

Definitivamente, não gosto desse conto. Acho super válido uma paródia cinematográfica, dos mesmos criadores de Shrek...

domingo, 12 de junho de 2011

Mulheres românticas...?

Antes de mais nada, é melhor me apresentar. Quem escreve não é a Marcela, nem uma outra mulher, embora eu fique muito bem de saia. Quem escreve é um cabeludo exemplar masculino chamado Társio, muito prazer. Fui convidado para escrever um post especial para o dia dos namorados, não por eu ser especial, mas porque eu não tenho nada para fazer nesse fim de semana mesmo, minha namorada imaginária está de viagem. Vou falar aqui sobre algo que sempre me intrigou: a falta de romantismo das mulheres nos filmes e além deles.
Você já deve ter visto no cinema homens que, para terem as mulheres de seus sonhos, criam monumentos, tocam serenatas, constroem máquinas do tempo para salvar o seu amor e cruzam o infinito do espaço. E aí eu pergunto: as mulheres que fazem? Quem já viu mocinha alguma mexer um dedo para realizar qualquer feito romântico? Elas só ficam no alto de suas torres, debruçadas na janela, ocupadas em não desmanchar o cabelo. Francamente, com toda essa discussão sobre igualdade de gêneros, é pedir demais para pelo menos abrir a porta do carro para nós, homens?!
Eu sei, eu sei, nós temos uma parcela de culpa aí. Somos capazes de interpretar uma mera gentileza como um gigantesco letreiro luminoso dizendo Avance! Acontece que só agora nós estamos aprendendo o legal de ser mulher. Hum... isso não soou certo. Deixe-me reformular. Só agora estamos aprendendo como é legar deixar a carapaça de macho de lado. O prazer de usar a cor rosa (ou salmão), o de cuidar da casa e dos filhos, o de falar sobre nossas emoções e de sermos frágeis. O fato é que os homens querem ficar no alto da torre também. Por isso é meio chato ver em filmes essas personagens femininas que se dedicam mais em criar mil empecilhos para o cara do que ser legais com ele.
Claro, existem exceções. Em Juno, Ellen Page enche a casa de seu namorado com todo estoque de Tic Tacs da cidade, a marca de bala favorita dele. É de fazer qualquer homem suspirar, principalmente se ele for o diretor-excutivo da Tic Tac Company. Tem também Amelie Poulain, praticamente uma stalker. Ela cria uma série de jogos por toda Paris a fim de criar o encontro perfeito com quem ela imagina ser o amor de sua vida. Um pouco além da conta, para falar a verdade. E acho que posso citar a protagonista de Corra, Lola, corra, mas ainda não vi o filme inteiro. Vai ver ela sacaneia o namorado no final das contas. Mas aí, se me pedirem para citar outro filme, fica mais difícil. Não lembro de nenhum em que a mulher seja ativamente romântica. (posso escutar Marcela gritando Pocahontas na frente de seu computador)
Talvez isso aconteça porque seja mais difícil se abrir no início de um relacionamento, todo mundo fica com seu campo de força emocional operando a 100%, pronto para escapar pela próxima via hiperespacial para bem longe. Depois de um tempo e certa confiança conquistada, elas devem ser mais românticas. E são poucos os filmes que tratam de relações amorosas concretas; quer dizer, sem serem dramas pesados, cheios de crises existenciais. Mas dane-se. Ao meu ver, se as mulheres já pegam em armas para lutar contra aliens em filmes de ação, agora é hora de pegar a guitarra e fazer serenata para seus namorados!
E fica o desafio às visitantes: quem consegue citar um filme que tenha uma personagem romântica e criativa, capaz de amolecer o coração engraxado de um mecânico?


Társio Abranches, mais conhecido como Don Juan, é escritor, desenhista, futuro editor e expert em mulheres. Você pode ler mais em seu blog ou twitter.

domingo, 15 de maio de 2011

Versões femininas

Mulheres cantando homens. Versão original x Versão feminina. Quem ganha? Ui, desafio!!!


10º Last Goodbye
Original: Jeff Buckley
x
Cover: Scarlett Johansson

Resultado: Scarlett, por favor delete este vídeo e não nos aborreça mais! JEFFFFFF BUCKLEY.

9º Smells like teens spirit
Original: Nirvana
x
Cover: Tori Amos

Resultado: T...Tori... Tori A... não... Tori, me perdoa, eu queria mas não posso, fracassei! Nirvana, grunge is not dead wins!


8º Everybody's changing
Original: Keane
x
Cover: Lily Allen

Resultado: Lily!

7º No Surprises
Original: Radiohead
x
Cover: Regina Spektor

Resultado: Regina! - Afinal de contas, é mais saudável para nosso psicológico. Com essa versão a gente chora, mas preserva nossos pulsos!

6º Refazenda
Original: Gilberto Gil
x
Cover: Cibelle

Resultado: Cibelle!!!! - Ah, vai uma interpretação muito boa da música.

5º Lotta love
Original: Neil Young
x
Cover: She & Him

Resultado: She & Him!!! - Desculpa Neil, sua música é ótima e ÚNICA e exclusivamente essa música ficou melhor ainda nos vocais suavisíssimos da Zooey (e do M Ward - as versões são FEMININAS mas ele sempre terá lugar neste blog ;)!!!!!!).

Fluorescent Adolescent
Original: Arctic Monkeys
x
Cover: Kate Nash

Resultado: Kate Nash!Kate Nash!Kate Nash!Kate Nash! E tenho dito!

3º Angel
Original: Jimi Hendrix
x
Cover: Fiona Apple

Resultado: Fiona. - Sim, eu sei, qualquer ser no mundo apontaria Jimi Hendrix como vencedor dessa batalha. Mas sou eu, incapaz de deliberar qualquer coisa que envolva o nome de Fiona Apple. s2 Ela vence forever.

2º My generation
Original: The Who
x
Cover: Patti Smith

Resultado: Patti Smith. [Só por força do hábito]


1º: I put a spell on you
Original: Screamin' Jay Hawkins

x
Cover: Nina Simone

Resultado: Empate. - Nina Simone fez uma interpretação marcante, gostosa de se ouvir, mas a de Jay Hawkins é MUITO MANEIRA.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Tia Nastácia - nossa preta por dentro e por fora

Meu post poderia ser sobre a Emília, na minha opinião a personagem mais interessante do Sítio do Pica Pau Amarelo, não é a toa que Emília, muitos estudiosos, e leitores da obra dizem - também não é difícil perceber -, é a figura de Lobato. Mas, dada a atual conjuntura, Tia Nastácia é quem merece destaque, e quem, de fato, vem ganhando mais atenção quando o assunto é sítio. Além disso, pra mim a cozinheira é a segunda mais legal. Ela é engraçada, gentil, boazinha. Enquanto Dona Benta assume o papel de vó diferente daquelas que faz tudo pros netinhos que vão visitá-las raramente, - sendo a única responsável por eles, ela é mais séria e intelectual - Tia Nastácia faz as guloseimas pras crianças, constrói seus brinquedos, faz vestidinhos para Emília e Narizinho quando elas precisam ir a alguma festa de gala. É uma fofa! E também, representa aquele cômico papel da senhora antiga que tem medo de tudo, não entende as modernidades, ou no caso do sítio, as fantasias que aparecem por aí, e, em todos os casos, apela para o sinal da cruz (muito fiel às senhoras fofinhas que encontramos por aí, ou às vovós mais antigas como a minha!)

O sítio é um clássico! E melhor ainda, um clássico infantil, coisa difícil na nossa literatura. Seja por uma inspiração artística divina, ou por uma aguçada visão empreendedora, Monteiro Lobato, em plenos anos 20, a todo vapor, voltou sua atenção para as crianças. O cara é o Walt Disney brasileiro, minha gente! Não é difícil perceber que a entidade "Sítio do pica pau amarelo" está para a cultura brasileira, em devidas proporções, como o Mickey Mouse está para os EUA. Comparações a parte, eu acho muito, mas muito importante o que ele fez. Muito da nossa cultura foi feita em busca de afirmação, de construção da brasilidade, o que exige uma seriedade que coloca a arte num patamar elevado. É difícil para uma criança se deparar com uma leitura mais densa, como a maioria de nossos clássicos. Ela não entende, perde o interesse e adquire um trauma. Uma história de aventura, divertida, infantil e muito cativante foi uma contribuição genial pro nosso imaginário cultural, ainda mais uma do porte do Sítio do Pica Pau Amarelo, que não é só um livro, mas uma série deles.

Monteiro Lobato, porém, é uma incógnita cultural brasileira! Ele deixou de ser o manda-chuva editorial, literário e artístico da década de 20, para virar, em plenos anos 2000, uma figura polêmica. Muito se discute a seu respeito, e eu muito penso sobre todas essas discussões, a cada nova revelação, a fim de desmascarar qualquer difamação de um ídolo!

Recentemente, vi na capa da Bravo, algo que me motivou a falar sobre isso. Se trata da seguinte frase: "Um país mestiço onde os brancos não tem força para criar uma Ku Klux Klan é um país perdido." Eu já contei essa história mil vezes, e não aguento mais mencionar essa frase. O fato é que é o tipo exato de frase que não se espera de um intelectual, principalmente de um dos intelectuais mais importantes do Brasil, e popularmente, um escritor infantil. Não preciso avançar mais no texto pra dizer que fiquei muito desapontada. Só me falta agora revelarem que Lewis Carrol era realmente pedófilo, e Alice uma puta mirim, ou acharem uma carta de C.S. Lewis dizendo que era ateu e que Aslam era só mais um rei leão, pra eu realmente desistir da vida e passar a ler contos policiais!

A desilusão começou quando Ziraldo teve a "feliz" idéia de defender seu também ídolo, fazendo a ilustração pro tal do bloco "Que m* é essa?", na qual Monteiro vinha abraçado a uma mulata. Diante disso, surgiram n retaliações na internet. Acabei vendo, por um blog, a carta que uma pesquisadora escreveu a Ziraldo, a fim de desmascará-lo, dessa vez - e consequentemente Lobato. Resumindo bem, ela disse que Monteiro era um racista que acreditava que os negros africanos tinham se vingado dos brancos - que os trouxeram pra cá a força para serem escravos - se misturando com eles, e dando origem à nova raça "horrível" dos mestiços, que se acumulam no subúrbio, nos trens da central e blá blá blá. Coisa bem civilizada, hein Lobatão? (A carta pode ser lida aqui: aqui)

Bom, se a vida inteira nós tentamos nos conformar, pensando que Lobato era fruto de sua época, refletia o pensamento da sociedade daquele momento, com as novas cartas achadas e divulgadas por aí, fica difícil ainda acreditar nisso. Para arrematar, essa história da KKK foi o fim. Não quero mais saber de revelações, de cartas e o que for. Ter um pensamento desse, só nos revela o quanto existem por aí nazistas em potencial. Vamos relaxar e ficar feliz porque uma KKK nunca existiu, aqui pelo menos.

Além do mais, o pobre do homem, não está mais aqui para se defender. Sempre fica em nós uma fagulha de esperança pelo fato de estarmos conhecendo, através desses meios de visibilidade fdps, de um pedaço da história, por mais inexplicável que ele seja, e não a história completa! A questão mais urgente, e a única sobre o qual podemos fazer alguma coisa a respeito, é: MONTEIRO LOBATO DEVE SER LIDO? Voltando, a Tia Nastácia, então. Quando pessoas mais vividas, experientes, com o olhar mais influenciado e atento, lêem o nosso querido Sítio são capazes de perceber N indícios, ou constatações, de racismo, e do que viria a explodir em polêmica mais tarde. Contudo, fico pensando se uma criança, inocente, que não sabe NADA sobre isso (se é que é possível) e não tem noção do que é a maldade do ser humano, seria capaz de perceber. E ainda que perceba, isso a transformaria em racista? Posso ser inocente, mas não consigo entender racismo nos dias de hoje. Eu acredito que uma criança, agora, vai encontrar uma sociedade onde o racismo está totalmente extinto, onde ela possa olhar pro amiguinho preto com naturalidade. E aí, quando ela ler o sítio, não vai ser influenciada, porque a influencia da sociedade vai ser (ou deveria ser) mais forte.

Por outro lado, é MUITO FEIO ler que, enquanto Pedrinho vira um passarinho, Dona Benta não sei o que fofinha, Tia Nastácia virou uma galinha preta. Mas se não ler como saber? Lembrando que os livros nos servem como relatos e conhecimento do passado. E como bem lembrou um sábio que eu conheço chamado André Colares: "queimar livros [nazistas] também é nazismo!".

Apesar disso, eu acho que, em toda sua mente perversa, havia um pouco de bondade, cidadania, noção, ou não sei o que, que fez com que Monteiro ponderasse muito seu preconceito no sítio! Temos um "preta velha", "preta por fora", mas jamais podemos identificar, por trás disso, um desejo de KKK. Numa discussão sobre isso, cheguei ao "x" da questão. Uma amiga disse, que apesar de gostar do Sítio, achava que ele não merecia ser lido, por seu autor ser tão escroto. Eu, então, descobri o motivo da minha indignação. Ele, o autor, não merece ser lido por todas as suas perversões enquanto ser humano, porém fez coisas incríveis que não podem ser ignoradas. E quando eu falo incríveis, não me refiro só ao sítio, ele também fez muita coisa pela nossa cultura, deu origem a produção editorial no Brasil, inseriu a ideia de arte na capa dos livros, livros na escola, foi fundamental para o modernismo... esse homem era danado, se metia em tudo! Como ignorar isso tudo? Quer dizer, talvez como Walt Disney, ele fosse um gênio, e como todo gênio, tivesse um lado perverso.
Se eu vejo alguma coisa boa nisso tudo, é o fato de existir uma negra no sítio, e do autor sempre ressaltar isso. A criança lê o tempo todo que Tia Nastácia é preta, sem maiores pudores, e isso pode sim formar uma pessoa livre de preconceitos, de receios ao se referir ao outro. O que cria o preconceito é o tabu que colocam em torno disso, o que eu considero preconceito disfarçado, sabe, esse papo de "não é preto, é negro."; ou "não existe cor de pele"! Por favor, vamos celebrar a diversidade!

Bom, meus filhos vão ler o Sítio do Pica Pau amarelo, orientados por mim, editora forever! Vão se divertir com as aventuras do Pedrinho e da Narizinho e de todos os outros mil personagens que aparecem. Vão saber que a cozinheira era a Tia Nastácia, que ela é preta, e que fica chateada quando é maltrada pela Emília. Aí eles vão entender que existiam os escravos, e como o ser humano pode ser cruel. Talvez mais no futuro, eles fiquem sabendo que na verdade, o autor do sítio era racista, e leiam os outros livros que ele escreveu para adultos.

E tenho dito. Não quero mais falar sobre racismo porque acho esse assunto muito ultrapassado!
Poxa, isso ficou grande!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

I in U / Eu em Tu

Começo com uma vernissage.
Laurie Anderson
Musicista americana, violinista, performista, artista experimental. E também, a título de curiosidade, esposa, companheira ou parceira de Lou Reed.
Laurie fez várias performances em Nova York, e agora veio ao Rio, mais especificamente para o CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil) e eu fui lá.
Inaugurando a exposição I in U / Eu em Tu, a diva moderna (e com isso quero dizer moderninha) mostrou seus dotes violinísticos montada em patins que, por sua vez, estavam montados em uma placa de gelo. O tempo da apresentação era o tempo do gelo derreter.


A exposição, logo de cara, é uma mistura de pinturas, desenhos, fotografias, instalações, tudo envolvido por muitos sons! Sons que saem das paredes, dos fones, da mesa. Aliás, a primeira obra, que se encontra logo no hall do CCBB, é uma grande mesa redonda, que serve para ouvir! Você senta, apoia o cotovelo, com as mãos no ouvido e... escuta!

Paredes de desenhos que lhe convidam a participar de uma narrativa, através do som. É só encostar o ouvido, ouvir, olhar, imaginar. Outra opção é entrar em uma sala escura e se deparar com a própria Laurie, em imagem ou áudio, contando uma história, fazendo uma performance.

Se até aí a exposíção é legal, espere até chegar aos grandes objetos mágicos de Laurie Anderson (como eu os classifiquei)! A partir deles, tudo vira uma montanha russa de emoções que pareciam estar destinadas a me chacoalhar. Quando percebi foi tarde. Caso não houvesse em mim um pouco de racionalidade, estaria chorando até agora. Talvez tenha sido o espiríto radical desses artistas da geração de 70, talvez eles tenham poderes! Ou talvez tudo tenha começado quando encontrei "o livro". Essa obra é simplesmente sensacional: um manuscrito sobre sua própria leitura.

Quando você lê um livro, no que você pensa? Sério, sinceramente falando. Eu nunca tinha pensado nisso, mas normalmente quando leio um livro, penso no que estou lendo. Acontece que, em algum momento de sua vida, Laurie Anderson leu um livro pensando no movimento que fazia ao virar as páginas, em quais dedos usava para isso, nas bactérias que participavam desse processo, nas leis físicas que atuavam sobre a página que caia para o outro lado. Isso deu origem ao manuscrito, que no maior estilo Arnaldo Antunes, fala sobre essa atividade. É incrível. A relação que temos com o livro não é apenas subjetiva, sentimental, catártica, afinal, nós os colecionamos, prezamos pelo seu estado físico etc. E não nos damos conta dos movimentos que fazemos repetidas vezes, ao ler, e que são o que nos mantém em contato físico com o objeto livro, enquanto nossos cérebros estão em sintonia com seus conteúdos.

Saindo do livro e passando para os violinos: qual sua função? Fazer música? Permitir que alguém faça? O que seria do violino sem o violinista? E do violinista sem o violino? Violinos transformados em caixas de som ainda cumprem sua função? Mesas, como a do início, são instrumentos musicais?
Ahh, Laurie Anderson e a relação entre forma X função.

Além dos livros e dos violinos, tem os travesseiros, os passarinhos mecânicos e muitas outras coisas, mas me exaltei com essa história.

E, também, não vou contar mais o que me fez chorar até amanhã. Ou guiaria muito o olhar de vocês.

A exposição vai até dia 26 de Julho.